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Segunda, 25 Agosto 2014 16:07

O Futuro - edição 216

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O futuro, como nos filmes de ficção, em que as pessoas se alimentam de gosmas sintéticas para não perder tempo com comida já chegou. O futuro chegou também nas comunicações, com as redes sociais via celulares e computadores plugando milhares de pessoas ao mesmo tempo em chats de conversas e coisas assim.

Chegou o futuro no lazer, também via computadores, tablets e telefones inteligentes e as pessoas (inclusive as crianças) divertem-se em jogos que são jogados com amigos remotos, ouvem música, vêm filmes. Tecnicamente pode-se dizer hoje que você encontra tudo o que quiser na internet. Mas como a gente não come tablets nem smartphones, inventamos uma gosma para comer sem precisar sair da frente do computador.

Nos Estados Unidos um grupo de jovens inventou mesmo uma gosma para substituir a comida. Nada de muito novo, pois já existem alimentos meio líquidos que se usam em casos de limitações clínicas, ou seja, para pessoas doentes que não podem se alimentar normalmente. Mas o que aflige é que eles fizeram isso porque estavam enfiados num apartamento minúsculo tentando desenvolver um projeto pelo qual haviam ganho alguns milhares de dólares de uma incubadora de empresas e achavam um fardo ter de comer. Pode uma coisa dessas? Mas não só comer é desprezado por esses jovens. Eles não tomam sol (se auto-intitulam “turma do escorbuto”), não namoram, não lêem romances, não vêem filmes, não passeiam. Eles passam todo seu tempo tentando criar coisas para ganhar dinheiro. Para quê o dinheiro, eu não sei. O fato é que o tal produto gosmento está virando uma febre e muitos jovens estão achando interessante viver disso, pois eles não podem perder tempo e se desplugar de suas máquinas nem para comer. Triste, não é? Mais que o prazer de comer uma coisa gostosa, o ato de compartilhar uma comida, de sentar em volta de uma mesa e bebericar, conversar, rir. Oferecer a alguém uma coisa gostosa, cheirosa, bonita. Um ato de amor, carinho, sedução. Os jovens de hoje estão desprezando tudo isso. Mas esse tipo de socialização é, justamente, o que caracteriza os seres humanos, o que nos humaniza: o compatilhar, o dividir, o ofertar. Então, me pergunto: o quê pessoas como essas são capazes de fazer para atingir seus objetivos? Pergunto-me quais os questionamentos éticos e morais que eles se colocam diante da execução de um projeto. Me dá medo.

Também me dá medo o que estamos fazendo com nossas crianças pequenas. Quando crescerem, certamente acharão ótimo não precisar comer para não se desplugarem de seu laptops, tablets e telefones. Deu no jornal que três crianças brasileiras foram desafiadas a ficar 48 horas (apenas dois dias) sem mexer em computador, tablet, celular e sem ver TV. As idades: 6, 11 e 12 anos. Mas os leitores são conscientes e sabem que crianças dessas idades não podem se cadastrar nas redes sociais, como facebook, certo? Certo. Mas se cadastram com idade falsa. Bom. E papai nem liga.

Resultado: o garoto de 11 anos não conseguiu. Entrou na internet, games e viu TV. A garota de 12 anos conseguiu brincar de pega-pega com amigos do prédio, visitar o avô, ler um livro, fazer

piquenique, dormir mais cedo, e se sentir mais descansada no dia seguinte, como ela mesma disse, pois não ficou à noite trocando mensagens, como sempre faz. O tempo rendeu. Mas ela também disse que não faria isso outra vez, não. Ao ligar o celular tinha mais de 100 mensagens!! Uma criança de 12 anos tinha mais de 100 mensagens recebidas em apenas 48 horas. Será que isso está certo?

Segundo estudo divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, 46% das crianças brasileiras de 9 a 12 anos entram na internet todos os dias, e uma, em cada três crianças de 8 a 12 anos passa de duas a quatro horas na internet, todos os dias! Sabe quanto tempo o Bill Gates (aquele senhor que inventou a maior empresa de computadores do mundo) deixa seus filhos ficarem no computador por dia? 45 minutos. Não vou escrever mais nada!

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Zulmara Salvador

Zulmara Salvador é Socióloga, Antropóloga e Consultora em Meio Ambiente.

3 comentários

  • Link do comentário Cecília Stringhini Sexta, 12 Setembro 2014 13:34 postado por Cecília Stringhini

    Parabéns !!!!Fantástico ....Essa reflexão deveria chegar nas casas, nas escolas,igrejas ,,enfim em todo lugar que tem gente ....
    um abraço e obrigada pela contribuição com uma sociedade mais justa.

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  • Link do comentário Mauro Domesi Sexta, 12 Setembro 2014 13:32 postado por Mauro Domesi

    Incrivel! Parece que a espécie humana pretende ser uma outra espécie. Isolada, independente, descrente, coisificada.
    A verdadeira espiritualidade valoriza a espécie humana, primícia da criação divina. Oxalá a consciência comece a pesar e a transformar.

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  • Link do comentário Linda Sereno Quinta, 11 Setembro 2014 23:09 postado por Linda Sereno

    Lamentável! Esse é o resultado de uma sociedade voltada para o consumismo, ou seja, para a produção de mercadorias não importa para quê, desde que venda e dê lucros, lucros, lucros... Não há sentido humanista.
    Onde vamos chegar assim, não sei. Só desejo que continue alertando como sempre faz em sua coluna!Bravo!

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