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Sexta, 18 Março 2016 12:44

Matarazzo desiste de prévias e anuncia desfiliação do PSDB Destaque

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O   anunciou na manhã desta sexta-feira (18) sua desfiliação do PSDB, desistindo das préviasque definirão o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Ele enfrentaria o empresário João Doria, apadrinhado pelo governador Geraldo Alckmin, no segundo turno da disputa interna neste domingo (20). Segundo ele, continuar no processo e no partido seria "legitimar uma fraude".

 

"Infelizmente, a ala liderada pelo Geraldo Alckmin não me deixou outra alternativa. Não tem espaço para mim no partido que coaduna com a compra de votos, com abuso de poder econômico e com o tipo de manobras que fizeram", afirmou Matarazzo.

Apesar de classificar sua decisão como "solitária", Matarazzo consultou os caciques do partido, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores José Serra e Aloysio Nunes Ferreira.

Ele acusou o governador Geraldo Alckmin deusar a máquina do Estadopara beneficiar a pré-candidatura de Doria. Afirmando que a "população está cansada dessa política dissimulada", disse também que o grupo de Alckmin fez "uma manobra proposital" para tirá-lo da disputa interna. "Esse jogo não sei fazer."

Vereador mais votado do PSDB em 2012, com 117 mil votos, e líder do partido na Câmara Municipal, Matarazzo afirmou que, durante o processo de prévias, o partido atuou "numa réplica do que o PT está fazendo e que o PSDB condena", acusando o adversário de compra de votos "sem cerimônia", transporte ilegal de eleitores, constrangimento de pessoas e de colocar "seguranças estranhos" dentro de locais de votação no primeiro turno.

"Isso não é o meu PSDB", disse.

Matarazzo disse ainda que Doria trata a militância tucana como "um senhor feudal", um "capitão do mato". "Ele é uma piada pronta."

O vereador também falou claramente em pressões do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para que os filiados tucanos votassem em João Doria. Segundo ele, o governador trabalhou para que os filiados apoiassem o empresário e orientou seus secretários a interferirem no processo e pedirem votos para seu afilhado.

"Não teria nenhum problema, é legítimo, que como cidadão Geraldo Alckmin tivesse um candidato, mas sentado na cadeira de governador, teve um peso desproporcional."

Segundo disse, aintervençãoda Executiva Estadual do partido, comandada por Alckmin, para reverter a decisão de adiar as prévias pesou em sua decisão.

"Com essa intervenção, não me resta outra alternativa a não ser me desfiliar do PSDB, depois de 25 anos de partido", afirmou o vereador.

2018

Matarazzo também criticou o fato de Alckmin mergulhar nas prévias tucanas com vistas àeleição de 2018. O governador considera que a vitória de Doria na disputa interna e na eleição pela prefeitura é o primeiro passo para que ele conquiste a Presidência da República.

"Não entrei nessa prévia para disputar a vaga de cabo eleitoral de 2018. Era uma eleição para candidato a prefeitura", afirmou.

Ele ainda colocou em dúvida a permanência de Alckmin no PSDB, depois de ter "provocado a cizânia do partido em São Paulo". O governador tem a "porta aberta" no PSB.

PSD

Matarazzo, que tem sido sondado por diversos partidos, entre os quais o PP, PV, PPS e PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, de quem foi secretário, afirmou que ainda não decidiu se vai se filiar a outra legenda para disputar a prefeitura paulistana.

"Não é uma decisão simples. Eu tinha todo um plano pensado em cima do meu partido. Estou me preparando há dez anos para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB."

Prévias

Com a saída de Matarazzo, falou-se na possibilidade de o deputado Ricardo Tripoli, que ficou em terceiro lugar na primeira etapa da disputa, voltar para as prévias e enfrentar João Doria no segundo turno.

A ideia, no entanto, é rechaçada por Tripoli. Logo que foi informado por Matarazzo de sua decisão, o deputado disse que não teria como mobilizar toda a sua base partidária para votar neste domingo (20).

Ele também defendeu que o partido dê prosseguimento à análise daimpugnaçãoda candidatura de João Doria. O ex-governador Alberto Goldman e o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, são autores de uma representação contra o empresário, na qual o acusam de abuso de poder econômico, propaganda irregular, transporte de eleitores no dia da votação do primeiro turno e infrações da lei da Cidade Limpa.

Doria nega ter cometido irregularidades e deve apresentar sua defesa nos próximos dias.

FONTE: FOLHA SP

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