Sexta, Abril 28, 2017
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Zulmara Salvador

Zulmara Salvador

Zulmara Salvador é Socióloga, Antropóloga e Consultora em Meio Ambiente.

Segunda, 18 Janeiro 2016 13:09

Em queda livre

A maioria dos governantes do Brasil já apresentava, quando nos inventaram como país e éramos uma colônia de Portugal, uma característica nefasta: a atuação política voltada à obtenção de benefícios, primeiro para eles mesmos e, depois, para Portugal, ficando os interesses e necessidades do povo e da Nação em... terceiro lugar, digamos assim. Se não considerarmos os parentes deles, os amigos próximos etc.

Terça, 10 Novembro 2015 13:39

Um café mais simples

Este artigo será breve e terá o objetivo de apresentar ao leitor o aspecto mais revelador da causa do rompimento das duas barragens em Minas Gerais: é que algumas pessoas merecem “um café mais simples” que outras. Vejamos.

Quarta, 23 Setembro 2015 16:24

Um estranho manifesto

Foi lançado em abril de 2015, por um grupo de cientistas, em sua maioria norte americanos e ingleses, um documentos intitulado Manifesto Eco Modernista, traduzido pelos professores Maurício Waldman e Tadeu Alcides Marques, que disponibilizaram o mesmo na Internet, contribuindo muito para sua discussão.

Terça, 04 Agosto 2015 06:21

Ojigi

Neste mês de agosto de 2015 terão se passado cinco anos da promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Escrevi nesta coluna, no longínquo ano de 2010, que tinha receio de que esta viesse a ser mais uma lei com risco de “não pegar”, como se diz aqui no Brasil, país no qual as boas leis parecem precisar de um sistema autocolante que ainda não inventaram. E eu tinha razão.

Segunda, 22 Junho 2015 11:57

Meio ambiente e vida urbana

Não tem mais retorno: a maioria dos seres humanos passaram, definitivamente, a viver nas cidades. Elas já são o ambiente no qual viveremos daqui para frente. Elas são o nosso meio ambiente. E isso representa um enorme desafio a ser vencido. Com o deslocamento de enormes massas de gente para as cidades, deveremos deslocar recursos ambientais para suprir as necessidades de toda essa gente, e isso não é tarefa nada fácil: água, energia e alimentos, só para falar do básico. E os países mais pobres é que enfrentam, desde já, os maiores percalços.

Quinta, 26 Março 2015 18:19

Um dia para chamar de meu

Sempre digo que quando se estabelece UM DIA para homenagear alguém é porque este alguém sofre injustiças nos demais 364 dias do ano e, muito provavelmente, no dia em sua homenagem também. Vide índios, crianças, negros e.. mulheres. No nosso caso, quando chega dia 8 de março, recebemos aquelas mensagens “fofas” por todos os meios de comunicação, dizendo que a mulher é como uma flor, “delicada, perfumada e tem que ser cuidada.”Blá, blá, blá. Coisa irritante!!

Segunda, 26 Janeiro 2015 16:35

Indignai-vos

O senhor Stephane Hessel foi, em sua juventude, na França, um militante da famosa Resistência Francesa aos nazistas, no período da Segunda Grande Guerra. Em tempos de paz, muitos anos depois, os olhos que viram as atrocidades da guerra mostraram outros tipos de crueldades, dissimuladas, e que, ao que parece, as pessoas se acostumaram a ver. Então, com mais de oitenta anos, ele escreveu um livro chamado “Indignai-vos”. Faz já uns alguns anos que o li. Emprestei a alguém, não me lembro quem, e espero que ele esteja viajando a outras pessoas, pois o que expressa é de grande importância.

Quinta, 04 Dezembro 2014 14:04

Civilização para quem?

Em pleno Século XXI, o século da alta tecnologia e da medicina de ponta, a pneumonia e a diarréia são as principais causas de morte entre crianças com menos de cinco anos de idade. Em 2011, dois milhões de crianças morreram no mundo em consequência dessas doenças, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que também mostrou que os casos mais graves ocorrem em países da Ásia e da África, que concentram 75% deles. Além disso, o número de mortes causadas pelo Ebola ultrapassou 5.000, em mais de 14.000 casos registrados, a grande maioria deles no oeste da África, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado neste mês de novembro de 2014.

Existe um aspecto que caracteriza particularmente as discussões sobre meio ambiente: todo mundo é “a favor”, todo mundo diz se preocupar, todas as empresas dizem que têm responsabilidade, mas, na verdade, poucos realmente FAZEM alguma coisa relevante na área. Cumprir a legislação já estaria bom demais. Meio ambiente é um dos temas nos quais, a meu ver, há grande distância entre o discurso e a prática. Dentre os temas ambientais em moda, está o que chamamos de ambientes saudáveis. Todo mundo defende a construção de ambientes saudáveis. Mas o que é isso?

Neste último artigo antes do dia 05 de outubro de 2014, quando se concretizará mais uma eleição para presidente do Brasil, reportarei ao leitor-eleitor o que encontrei nos Planos de Governo dos três principais candidatos sobre três segmentos muito importantes da nossa sociedade: trata-se dos povos indígenas, nossa origem e referência cultural, das crianças e das mulheres. Vejamos alguns dados de hoje e o que propõem os candidatos.

Quanto à questão indígena, em pleno Século XXI continuamos em pé de guerra e a violência contra os índios tem sido terrível; há forte lobby no Congresso para tomar para si a tarefa das demarcações, o que é inconstitucional e ridículo; a cada 100 índios mortos em 2013, 40 eram crianças, vítimas de diarréias; um índio se suicida a cada cinco dias e, com relação à demarcação de terras, o atual governo foi o que menos demarcou desde o período da ditadura. Acompanhem “Índio Cidadão?” no Facebook e vocês verão.

Propostas dos candidatos:

Presidente Dilma Rousseff: não tem uma palavra sobre o assunto no Plano de Governo.

Candidata Marina Silva: Propõe uma “prática política diferenciada” e isso, pelo texto do programa de governo, significa: combater “toda forma de discriminação. Valoriza ainda a participação de populações vulneráveis, pessoas portadoras de necessidades especiais, indígenas e comunidades tradicionais, idosos, crianças e adolescentes.” Menciona a discriminação do sistema eleitoral, que exclui indígenas e o desmatamento como fator de desagregação social dos povos indígenas. Defende o direito dos povos indígenas e das comunidades tradicionais à sua cultura e a terra. Propõe 18 pontos sobre o tema, dentre eles, mediar os conflitos e possibilitar a demarcação de terras indígenas, implementar ações para que comunidades tradicionais tenham acesso aos serviços públicos, promover educação diferenciada, que atenda às particularidades dos povos tradicionais etc.

Candidato Aécio Neves:

Coloca a questão indígena no campo dos Direitos Humanos e da “proteção aos setores vulneráveis” da sociedade. O programa diz que será dada “forte prioridade às políticas afirmativas em relação aos setores mais vulneráveis de nossa sociedade, em especial às mulheres, idosos, crianças, afrodescendentes, LGBT, quilombolas, ciganos, povos indígenas e pessoas com deficiência”. Lista 28 diretrizes que visam à conscientização, repúdio à violência, apoio às defensorias públicas, fóruns de debates etc. Não menciona o aspecto da demarcação de terras. No tópico Habitação, propõe um Plano Nacional de Habitação em que será considerado “Atendimento aos segmentos vulneráveis da população com soluções habitacionais adaptadas às diferentes situações socioeconômicas - indígenas, quilombolas e comunidades rurais”.

Quanto à questão da mulher, os leitores sabem que estamos num delicado momento de nossa precária civilização: os dados de violência contra a mulher estão assustadores – só em São Paulo, três mulheres são estupradas por dia. Os homicídios contra mulheres aumentam a cada dia. Os salários são piores para as mulheres e, a cada dois dias, uma mulher (pobre) morre por realizar aborto clandestino. Além disso, se a mulher não morrer, vai presa, porque abortar no Brasil é crime! Pode isso? Que coisa mais arcaica.

Quanto ao aborto, os três candidatos convergem: fica tudo como está. Uma é omissa, a outra é evangélica e o outro se diz católico. Ninguém põe a mão na cumbuca.

Quanto a outras políticas para as mulheres, Dilma Rousseff apresenta uma frase em seu plano de governo: “Mais empoderamento, autonomia e violência zero serão as diretrizes das nossas políticas para as mulheres no próximo período da Presidenta Dilma. A implementação da Casa da Mulher Brasileira será decisiva para este objetivo, assim como as medidas de promoção da igualdade”.

Marina Silva não muda legislação sobre aborto, mas diz que vai melhorar atendimento do SUS para os casos já previstos na lei. Quanto à mulher trabalhadora, promete maior fiscalização do Ministério do Trabalho para evitar discriminação e garantir equiparação dos salários. Diz que vai criar nos municípios núcleos de atendimento às mulheres, com apoio jurídico etc., visando à redução da violência.

Aécio Neves coloca no tópico Direitos Humanos as propostas de ações de proteção à violência contra mulheres e crianças, contra o tráfico de mulheres e crianças, além de outras propostas de proteção. No tema da habitação, propõe prioridade de atendimento de programas governamentais para mulheres chefes de família o que, aliás, já existe faz tempo. Em item específico dedicado à mulher, lista 14 diretrizes de ação, dentre elas, respeito aos tratados e acordos internacionais de proteção às mulheres assinados pelo Brasil, formação de professores sobre questões raciais e de gênero; estímulo à participação das mulheres na administração pública; estímulo a programas de prevenção à gravidez precoce e campanhas de prevenção de câncer de colo de útero, mama e DST. No item da Saúde o Plano de Governo indica a diretriz de que o SUS trate adequadamente mulheres e crianças vítimas de violência doméstica.

Bem, a questão da criança ficou para o final por ser a mais importante. Nossas crianças pobres têm sido muitíssimo mal tratadas. Pode-se ir à escola, mas não se aprende. Continuamos em posições vexatórias nos rankings de educação mundiais. O atendimento público à saúde é precário, os remédios são caros e os pobres não têm acesso. E, pior dos mundos, nossa mídia infesta o imaginário das crianças com propagandas que as tem tornado consumistas contumazes, levando à obesidade, depressão, agressividade. Nenhum candidato falou sobre o controle dessa praga na grade de programação infantil das televisões.

Dilma Rousseff informa coisas feitas: investimentos crescentes em educação e a criação do FUNDEB, além da política de construção de creches, redução da idade obrigatória para início da escolarização e promessa de reduzir ainda mais em 2016, para 4 anos. Promete apoio a estados e municípios para ampliar as escolas em tempo integral.

Marina Silva promete ensino integral para educação básica, aumentar investimentos em educação para 10% do PIB e universalização da educação infantil.

Aécio Neves propõe ações para qualificação do professor, melhoria de seu salário e das condições de trabalho e do sistema de ensino, com “apoio à educação inclusiva”, e prevenção à desnutrição e à obesidade infantis, além da criação de programa de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, além de outras ações já mencionadas acima.

Cuidar de saneamento básico é cuidar das crianças e, nisso, o Brasil vai muito mal. Não adianta ter escola sem coleta de esgoto, pois a criança morre de diarreia antes de chegar à idade de estudar! Todos prometem universalização do serviço. Ver para crer. Em 20 anos de democratização do país, eles não fizeram. Mais da metade da população do Brasil não tem acesso à rede de esgoto. Quero ver quem vai investir em tubo debaixo da terra, que não tem apelo de inauguração, mas salva vidas!

Nesses temas tão fundamentais meus caros leitores, temos que ver o que cada um propõe de concreto, mas a questão é saber a distância entre o discurso e a prática dos senhores candidatos.

Zulmara Salvador: Socióloga, Antropóloga, Consultora em Meio Ambiente e Membro da Equipe Pedagógica do Instituto Argumentos – Ciência e Cultura.

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