Minha mãe, ao perceber os raios de sol em uma manhã de inverno, dispunha algumas cobertas na calçada que contornava os alicerces de nossa casa, na frente leste, pois era ali, por detrás da igreja que o sol timidamente surgia.
Normalmente em Itaquera, extremo leste de São Paulo, onde morávamos, a temperatura era e continua sendo abaixo da média da cidade, e nessas ocasiões acredito que convivíamos com algo entre sete a nove graus.
Após estar certa de que as cobertas já haviam se aquecido com o calor do sol, ela preparava as canecas de ágata com café e leite e passava as fatias de pão com margarina na frigideira até dourarem as bordas. Dispunha este banquete em um caixote ao lado das cobertas e nos acordava com todo carinho para fazermos o que ela chamava de nosso piquenique.
Carregava eu e a Ana, minha irmã, na oportunidade eu com quatro anos e Ana com seis, e nos aconchegava nas cobertas apoiadas pelos travesseiros de penas de aves que ela mesma fazia.
Ali ficávamos comendo, brincando e conversando até o sol ser encoberto pelas folhas do abacateiro, isto lá pelas 9h.
Agora tínhamos que espantar a deliciosa preguiça, juntar toda a bagunça e darmos início a mais um dia de nossas vidas que havia começado de forma mágica.
Saudades destes dias e dela. Saudades da simplicidade e da felicidade.
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