Localizada na área que hoje fica entre o Parque Linear do Rio Verde e a Comunidade da Paz, a represa era formada pelas águas ainda limpas do Córrego do Rio Verde e do Córrego do Areião. Suas margens acompanhavam a Rua Tomazzo Ferrara, de onde foi registrada a imagem que nos ajuda a resgatar essa lembrança.
Naquele tempo, o cenário era outro. Ao fundo, o capinal balançava com o vento, compondo uma paisagem simples e bonita, que convidava ao descanso. A represa era um espaço público, mas tinha o clima acolhedor de um grande quintal compartilhado. Ali, famílias se reuniam aos finais de semana para aproveitar o dia: faziam churrascos, andavam de pedalinho, remavam em pequenos barcos, pescavam e, nos dias mais quentes, se aventuravam nas águas.
À frente desse pequeno paraíso estavam dona Cota e seu Otávio Calistrato, responsáveis por cuidar do espaço e receber os visitantes. Sob a atenção deles, o lugar se tornava ponto de encontro e convivência, onde o lazer se misturava com a simplicidade da vida cotidiana.
Mas, como tantas paisagens da cidade, a represa não resistiu ao avanço da urbanização. Em meados dos anos 50, durante a terraplanagem para o loteamento que daria origem à atual Cidade A.E. Carvalho, a terra carregada pelas águas do Córrego do Areião foi, pouco a pouco, assoreando a represa. O que antes era água e encontro acabou soterrado, transformando-se em chão firme e marcando o fim de uma época.
Hoje, a Represa da Vila Corberi sobrevive apenas na memória de quem viveu aqueles dias — e nos relatos que ajudam a manter viva a história de um lugar que já foi sinônimo de lazer, natureza e convivência em Itaquera.
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FOTO: Benedito da Glória




