O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quarta-feira (9) a remoção do ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão, que altera o comando de uma das investigações mais longevas e sensíveis da Corte, estabelece que todos os atos e decisões proferidos por Moraes até o presente momento permanecem válidos e preservados.
Origem e histórico do inquérito no Supremo
O inquérito das fake news foi instaurado em março de 2019, sob a presidência do ministro Dias Toffoli. Na ocasião, a medida foi justificada pela necessidade de apurar a disseminação de notícias falsas, ofensas e ameaças que atingiam a honorabilidade, a segurança e a integridade dos membros do STF e de seus familiares. Desde a sua criação, o inquérito tornou-se um instrumento central na atuação da Corte contra ataques ao Estado democrático de direito.
Ao longo dos anos, a relatoria de Alexandre de Moraes foi marcada por decisões de alto impacto, incluindo ordens de bloqueio de contas em redes sociais, quebras de sigilo e mandados de busca e apreensão contra figuras públicas e influenciadores digitais. A condução do processo, contudo, sempre foi alvo de intensos debates jurídicos e políticos sobre os limites da competência do tribunal em investigações de ofício.
Crise interna e tensões entre ministros
A mudança na relatoria ocorre em um momento de acirramento de tensões internas no tribunal, envolvendo diretamente Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça. O cenário de crise escalou na última semana, quando Moraes incluiu acusações formais contra Mendonça no bojo do próprio inquérito das fake news. O relatório apontava supostas condutas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento político por parte de Mendonça.
O estopim para o embate público ocorreu após Mendonça decidir pela retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento continha diálogos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, direcionados a Moraes. Vorcaro, que é figura central em investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o banco Master, encontra-se atualmente sob custódia.
Desdobramentos da decisão de Fachin
Além de retirar Moraes da relatoria, Edson Fachin determinou que o conteúdo específico da investigação que envolvia o ministro André Mendonça fosse imediatamente desmembrado do inquérito principal. Esse material foi remetido diretamente à presidência do STF, que passará a conduzir o caso.
A decisão de Fachin busca, segundo analistas, conter a escalada de conflitos institucionais que vinham desgastando a imagem do tribunal. O movimento é visto como uma tentativa de pacificação interna em um período de intensa pressão sobre o Poder Judiciário. Para mais informações sobre os desdobramentos desta crise e outros temas relevantes do cenário nacional, continue acompanhando o Fato Paulista, seu portal de confiança para notícias com profundidade e credibilidade.




