A Polícia Militar do Estado de São Paulo deu um passo significativo no combate à violência doméstica e familiar, iniciando nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, a capacitação de policiais que atuarão no Espaço Lilás. Essas estruturas, estrategicamente instaladas em batalhões e unidades operacionais da corporação, têm como objetivo principal fortalecer o acolhimento e a orientação de mulheres que são vítimas de agressão, marcando um avanço na rede de proteção.
O treinamento, que ocorre no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de São Paulo, reúne 55 policiais. Eles foram selecionados por atuarem em regiões da capital com maior incidência de casos de violência contra a mulher, demonstrando um foco estratégico na atuação. A formação é crucial para preparar esses agentes para o pós-ocorrência, garantindo uma continuidade na atenção e no cuidado às vítimas, um aspecto muitas vezes negligenciado após o registro inicial.
Capacitação para um acolhimento humanizado e contínuo
A iniciativa do Espaço Lilás representa uma evolução no acompanhamento das vítimas de violência doméstica. A soldado Priscila Brito, uma das policiais em formação, destaca a importância desse atendimento contínuo. “Vamos ofertar um atendimento contínuo às vítimas, com agendamento de visitas e explicação de direitos que muitas delas não conhecem”, explica, ressaltando o papel proativo dos agentes.
A cabo Renata Alves, uma das responsáveis pelo curso, enfatiza o diferencial da proximidade. “Esses espaços estarão instalados dentro das unidades, garantindo acesso mais próximo à comunidade. São policiais preparados para acolher e orientar essas mulheres, contribuindo para que elas rompam o ciclo da violência”, afirma. Essa abordagem visa construir um vínculo de confiança e segurança, essencial para que as vítimas se sintam encorajadas a buscar ajuda e a seguir com as medidas legais.
Além do atendimento direto, os policiais formados também atuarão como multiplicadores do conhecimento dentro de suas unidades, ampliando o alcance das práticas de acolhimento e disseminando a expertise adquirida. O projeto já está em funcionamento nos 12º e 27º Batalhões Metropolitanos, que cobrem as regiões sul e extremo sul da capital paulista, servindo como modelo para a expansão.
Rede de apoio e ferramentas de proteção
Durante a capacitação, os policiais recebem instruções abrangentes sobre o funcionamento da rede de apoio às vítimas de violência. Isso inclui o uso e as funcionalidades do aplicativo SP Mulher Segura, uma ferramenta vital que conecta a mulher diretamente à polícia em situações de risco. Além disso, são apresentadas as diversas ferramentas disponíveis em diferentes órgãos públicos, permitindo que cada caso seja direcionado conforme a necessidade específica da vítima, como questões de guarda de filhos e direito à pensão alimentícia.
O atendimento no Espaço Lilás é realizado por meio de busca ativa em registros de ocorrências de violência doméstica, incluindo chamados do 190 e dados de aplicativos oficiais da corporação. O acompanhamento pode envolver também casos com medidas protetivas, em uma integração fluida com outras unidades operacionais. Uma das frentes de atuação é a “visita solidária”, que pode ser presencial ou por videochamada, realizada em até 10 dias após a ocorrência atendida pela PM, focando no acolhimento, orientação e incentivo à adoção de medidas legais contra o agressor.
O trabalho se estende ao contato contínuo com as vítimas por aplicativos de mensagens, oferecendo um canal direto para que elas possam tirar dúvidas, solicitar apoio ou simplesmente desabafar, reforçando o suporte em momentos de fragilidade.
A importância do vínculo e a ação do SP Por Todas
A construção de um vínculo de confiança é fundamental, como ressalta a 2º sargento Valdeci Soares, que atua na área de violência contra a mulher desde 2006 e possui quase 30 anos de carreira. “Procuro passar segurança para que elas se sintam à vontade. Muitas vezes, por eu ser mulher, isso facilita a confiança. A gente orienta como se fosse da família. As vítimas chegam muito fragilizadas e, muitas vezes, não sabem como sair da situação. Quando a gente consegue ajudar, o sentimento é de dever cumprido”, compartilha a sargento, evidenciando a dimensão humana do trabalho.
É importante diferenciar o Espaço Lilás da Cabine Lilás, outro serviço da PM. Enquanto a Cabine atua em ocorrências em andamento e situações emergenciais, recebendo chamadas do 190, o Espaço Lilás não realiza atendimentos de urgência nem monitoramento de agressores. Seu foco é exclusivamente no acompanhamento e pós-atendimento das vítimas, complementando a rede de proteção. Atualmente, o Espaço Lilás está sendo implantado em 40 salas de operações da Polícia Militar em todo o estado de São Paulo.
Essa iniciativa integra o movimento SP Por Todas, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo. O movimento visa ampliar a visibilidade das políticas públicas para mulheres e fortalecer a rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira. Entre as soluções do SP Por Todas, além do aplicativo SP Mulher Segura, está a ampliação de serviços especializados em todo o estado, criando um ecossistema de apoio robusto e multifacetado.
A capacitação dos policiais para o Espaço Lilás é um passo fundamental para oferecer um suporte mais eficaz e humanizado às vítimas de violência doméstica em São Paulo. Ao focar no pós-ocorrência e na construção de um vínculo de confiança, a Polícia Militar reafirma seu compromisso com a proteção das mulheres e o combate a esse grave problema social. Continue acompanhando o Fato Paulista para mais informações relevantes, atuais e contextualizadas sobre as iniciativas que impactam diretamente a vida dos cidadãos em nosso estado e no Brasil.




