A unha encravada, clinicamente conhecida como onicocriptose, é uma condição dolorosa e bastante comum que afeta milhões de pessoas. Embora muitos acreditem que o problema surge apenas por falta de higiene ou cuidado, a realidade é mais complexa. Frequentemente, o encravamento é resultado de uma combinação de fatores que, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia, agravando o desconforto e favorecendo a recorrência.
Os primeiros sinais de que a borda da unha começou a crescer para dentro da pele são inconfundíveis: dor intensa, vermelhidão, inchaço e, em casos mais avançados, até a saída de secreção. Quando isso ocorre, o organismo reage com um processo inflamatório que pode piorar rapidamente, especialmente se a pessoa tentar resolver a situação por conta própria, cortando a unha de forma inadequada ou utilizando objetos pontiagudos para remover o pedaço encravado.
Identificando as principais origens do problema
Especialistas na área da saúde alertam que a chave para um tratamento eficaz e duradouro reside na identificação da verdadeira causa do problema. Tratar apenas os sintomas da inflamação, sem corrigir a origem do encravamento, é um erro comum que leva à repetição das crises. A dermatologista Dra. Adriana Matter, especialista em doenças das unhas, destaca que muitas pessoas focam na dor e na inflamação, mas negligenciam a investigação do motivo pelo qual a unha encravou inicialmente.
Essa abordagem superficial não só prolonga o sofrimento por meses, como também aumenta a probabilidade de novas ocorrências. A Dra. Adriana, em conteúdo compartilhado em suas redes sociais e corroborado por instituições de saúde, aponta três causas principais para a onicocriptose, que se manifesta com maior frequência no dedão do pé, mas pode atingir qualquer dedo.
O erro mais comum: o corte incorreto das unhas
A principal causa apontada pela especialista é, sem dúvida, o corte incorreto das unhas. É um hábito disseminado arredondar os cantos ou cortar as extremidades de forma muito curta, buscando um acabamento estético ou a crença de que isso retardará o crescimento. No entanto, o resultado costuma ser exatamente o oposto do esperado.
Ao remover as laterais que servem de guia para o crescimento natural, a unha perde sua direção e tende a avançar em direção à pele, causando dor e lesões. A recomendação unânime dos profissionais é realizar um corte reto, preservando os cantos e evitando retirar partes que ainda protegem a ponta do dedo. Essa técnica simples é fundamental para orientar o crescimento da unha de maneira saudável e prevenir o encravamento.
Impactos e calçados apertados: a pressão sobre os pés
Outra causa bastante frequente para o encravamento das unhas está ligada a traumas repetitivos e ao uso constante de calçados inadequados. Sapatos de bico fino, modelos muito justos ou tênis que comprimem os dedos exercem uma pressão excessiva sobre a região, alterando o crescimento da unha e forçando-a contra a pele.
Atletas, especialmente aqueles que praticam corrida, futebol ou outras atividades de alto impacto, também estão mais suscetíveis a pequenos traumas constantes que podem desviar o curso natural da unha. Mesmo uma pancada direta no dedo pode, temporariamente, modificar a forma como a unha cresce, elevando o risco de encravamento. A escolha de calçados confortáveis, com espaço suficiente para os dedos, é uma medida preventiva crucial para reduzir essa pressão e manter a saúde dos pés.
A influência da genética e a predisposição natural
A terceira causa citada pela dermatologista é a genética. Algumas pessoas já nascem com uma predisposição natural, apresentando uma curvatura mais acentuada da unha ou um formato que favorece o crescimento lateral. Nesses casos, mesmo adotando todos os bons hábitos de corte e escolha de calçados, a tendência ao encravamento pode persistir.
Essa predisposição genética explica por que é comum observar membros da mesma família enfrentando episódios semelhantes de unhas encravadas ao longo da vida. Quando essa tendência é identificada, o acompanhamento regular com um dermatologista ou podólogo torna-se essencial. Esses profissionais podem orientar sobre as melhores práticas de corte e monitoramento do crescimento, minimizando os riscos e oferecendo soluções personalizadas para cada paciente.
Os perigos da automedicação e quando procurar ajuda
Um erro crítico e muito comum ocorre quando a pessoa, ao sentir dor, tenta resolver o problema em casa. Cortar ainda mais os cantos da unha ou utilizar objetos pontiagudos para remover o pedaço encravado pode agravar a lesão, abrir portas para a entrada de bactérias e, consequentemente, provocar infecções sérias. Em casos de pus, aumento significativo da dor, vermelhidão intensa ou dificuldade para caminhar, a avaliação médica é indispensável para indicar o tratamento adequado e evitar complicações.
A boa notícia é que a maioria dos casos de unha encravada pode ser prevenida com medidas simples e consistentes. Cortar as unhas sempre em linha reta, evitar a remoção dos cantos, usar calçados confortáveis e estar atento a qualquer alteração nos pés são hábitos que diminuem drasticamente o risco de novos episódios. Para aqueles com predisposição familiar ou que sofrem com o problema repetidamente, a orientação profissional é o caminho mais seguro e eficaz. Como reforça a Dra. Adriana Matter, compreender a causa do encravamento é o passo mais importante para garantir o alívio e evitar que o desconforto retorne. Para mais informações sobre saúde dos pés, consulte fontes confiáveis como o Ministério da Saúde.
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