O governo de Santa Catarina oficializou um reajuste de 6,39% no salário mínimo regional, consolidando uma nova tabela de pisos salariais para o ano de 2026. A medida, aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), busca ajustar a remuneração de diversas categorias profissionais ao custo de vida local, garantindo que trabalhadores sem convenção coletiva específica tenham um patamar de ganho atualizado.
Com a implementação do novo índice, o teto do piso regional catarinense alcançou a marca de R$ 2.106. Este valor representa o topo da estrutura de quatro faixas estabelecida pelo estado, refletindo a valorização de setores que demandam maior qualificação técnica ou que possuem níveis de responsabilidade distintos no mercado de trabalho catarinense.
Estrutura das faixas salariais e abrangência
A política de pisos regionais em Santa Catarina é desenhada para contemplar a diversidade econômica do estado. A divisão em quatro faixas permite que o reajuste seja aplicado de forma escalonada, respeitando as especificidades de cada setor produtivo. A primeira faixa, que agora é de R$ 1.842, atende trabalhadores rurais, da construção civil, pesca e empregados domésticos.
A segunda faixa, fixada em R$ 1.980, abrange profissionais das indústrias têxtil, de calçados, de móveis e do setor de telemarketing. Já a terceira faixa, com o valor de R$ 2.022, contempla o comércio em geral e indústrias de alimentos, produtos químicos e farmacêuticos. Por fim, o valor de R$ 2.106, que compõe a quarta faixa, é destinado a trabalhadores da saúde, motoristas, profissionais de tecnologia, seguros e da indústria metalúrgica.
Contexto e relevância do piso regional
A existência de um salário mínimo regional é uma ferramenta de política pública que permite aos estados brasileiros, como Santa Catarina, estabelecer remunerações superiores ao piso nacional definido pelo governo federal. Essa autonomia é fundamental para mitigar disparidades regionais e oferecer uma rede de proteção social mais robusta em áreas onde o custo de vida é mais elevado.
É importante ressaltar que esses valores são aplicáveis apenas aos trabalhadores que não possuem piso salarial definido por lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho. Para essas categorias, o piso regional atua como um garantidor de dignidade, assegurando que o reajuste acompanhe, ainda que parcialmente, a inflação e a necessidade de recomposição do poder de compra.
Panorama nacional dos pisos estaduais
Santa Catarina não é o único estado a adotar essa estratégia. Outras unidades da federação também mantêm políticas próprias de valorização salarial, cada uma com sua estrutura de faixas e valores específicos. São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul compõem o grupo de estados que possuem legislação própria para o salário mínimo regional.
Essa fragmentação de pisos reflete a complexidade econômica do Brasil. Enquanto estados do Sul e Sudeste costumam apresentar patamares mais elevados devido à industrialização e ao custo de vida, a comparação entre eles demonstra como cada administração estadual prioriza diferentes setores da economia local em suas negociações legislativas.
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