Ato em SP cobra justiça por Luana Barbosa e denuncia violência contra lésbicas e bissexuais

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protesto - Caminhada de mulheres lésbicas e bissexuais em SP denuncia violência e exige justiça pelo caso Luana Barbosa após dez anos de impunidade.
© Letícia Treitero/Agência Brasil
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A luta por visibilidade e justiça nas ruas de São Paulo

Na tarde deste sábado (6), o centro de São Paulo foi palco da 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais. O evento reuniu diversos coletivos e organizações sociais com o objetivo de pautar reivindicações específicas, fundamentadas em violências simbólicas e físicas que, segundo as lideranças do movimento, afetam de maneira singular essa parcela da população LGBTQIA+.

A articulação contou com a presença de grupos como a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces e a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL). O ato reforçou a necessidade de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da lesbofobia e da bifobia, além de denunciar o crescimento de discursos de ódio no cenário político nacional.

Dez anos de impunidade no caso Luana Barbosa

Um dos pontos centrais da manifestação foi o marco de uma década do assassinato de Luana Barbosa dos Reis. A jovem, que era negra, lésbica e periférica, morreu aos 34 anos após ser espancada por policiais militares em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O crime ocorreu em 13 de abril de 2016, após Luana recusar ser revistada por agentes do sexo masculino, um direito garantido por lei.

Durante o ato, Roseli dos Reis, irmã de Luana, discursou sobre a dor de uma década sem respostas judiciais. “Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta”, afirmou, destacando que a família buscava apenas viver o luto, mas foi forçada a manter a mobilização por justiça. Recentemente, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania instituiu um prêmio com o nome de Luana Barbosa para reconhecer iniciativas de combate ao lesbocídio.

Desafios cotidianos e o estigma da invisibilidade

O protesto também serviu como espaço de denúncia contra as diversas formas de opressão que atingem mulheres bissexuais e lésbicas. Dados do LesboCenso apontam que o preconceito se manifesta desde a invisibilidade de relacionamentos até atos graves como o estupro corretivo e o assédio sexual. A estrutura patriarcal e a heteronormatividade imposta pela sociedade continuam sendo os principais motores dessa exclusão.

Para muitas participantes, como a fotógrafa Helena Silva, de 26 anos, a vivência da sexualidade é marcada por barreiras familiares e sociais. Silva, que se identifica como pansexual, relata o desafio de transitar entre a liberdade pessoal e as expectativas de um ambiente familiar conservador. Essa invisibilidade também se reflete no acesso à saúde, onde o despreparo e a desinformação de profissionais em consultórios médicos frequentemente resultam em atendimentos precários.

A busca por acolhimento e o papel da coletividade

A trajetória de Thais Souza, de 31 anos, ilustra a complexidade da aceitação familiar. Vinda de Campinas para a capital paulista, ela relata que a estabilidade profissional foi, muitas vezes, o fator que atenuou o preconceito de parentes. “Eles tinham essa visão de que as pessoas desse meio eram perdidas pelo mundo”, comenta. A mudança de perspectiva da família, segundo ela, ocorreu ao perceberem que sua identidade não impedia suas conquistas pessoais.

A 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais reafirma, portanto, a importância da resistência coletiva. Ao ocupar o espaço público, o movimento não apenas homenageia vítimas como Luana Barbosa, mas também exige que a sociedade e o Estado reconheçam as demandas de um grupo que, historicamente, luta para ter sua existência respeitada e protegida.

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