Mulheres negras lançam manifesto por representatividade e bem viver nas eleições de 2026

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Mulheres negras lançam manifesto em Brasília com foco no Bem Viver e maior representatividade política nas eleições de 2026.
Mulheres negras lançam manifesto por representatividade e bem viver nas eleições de 2026
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Em um movimento estratégico para as eleições de 2026, lideranças e ativistas reuniram-se em Brasília, nesta quarta-feira (26), para o lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver. Coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), o documento estabelece diretrizes para candidatos e governantes, defendendo que a justiça social e a equidade devem ser o eixo central da formulação de políticas públicas no país.

Proposta de um pacto pelo bem viver

O manifesto não se limita a reivindicar espaço, mas propõe uma mudança estrutural na forma como a política é gerida. O conceito de Bem Viver, central no documento, busca integrar justiça, solidariedade e dignidade humana como pilares inegociáveis. A iniciativa reforça que mulheres negras não devem ser vistas apenas como beneficiárias de políticas de reparação, mas como protagonistas capazes de gerir e imaginar novos horizontes para a administração pública.

Jolúzia Batista, coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), destaca que a luta é por uma reparação histórica que contemple os danos de mais de três séculos de escravidão. Segundo ela, o manifesto funciona como um conjunto de diretrizes para que a sociedade civil possa monitorar e cobrar compromissos reais de quem ocupa ou pretende ocupar cargos de poder, garantindo que a representação política reflita a diversidade da população brasileira.

Desafios na representação política

Apesar da relevância demográfica, o cenário eleitoral ainda apresenta disparidades profundas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, nas eleições de 2026, mulheres pretas representam 6% das candidaturas, enquanto mulheres pardas somam 12,2%. Esses números contrastam significativamente com a realidade social do país, onde mulheres negras compõem cerca de 28,2% da população, conforme dados do IBGE.

O manifesto critica abertamente a distribuição desigual de recursos dos fundos partidário e eleitoral, apontando que o racismo e o sexismo continuam a ser barreiras que impedem o acesso equitativo ao poder. Nádia Estela Ferreira Mateus, promotora de Justiça em Minas Gerais, reforça que a baixa presença de mulheres negras em espaços de decisão, como o próprio Ministério Público — onde mulheres pretas ocupam apenas 0,7% dos cargos de membros —, é um reflexo de um sistema que precisa ser transformado urgentemente.

Tecno autoritarismo e o debate público

Além das barreiras institucionais, as lideranças alertam para o que chamam de guerra híbrida. Janira Sodré, secretária-executiva da AMNB, aponta que o debate político na internet tem sido manipulado por estratégias de “tecno autoritarismo”. Segundo a ativista, a gestão dos algoritmos pelas grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, influencia diretamente o que chega ao eleitor, muitas vezes silenciando pautas de grupos historicamente marginalizados, como a população LGBTQIA+ e comunidades periféricas.

A campanha #EuVotoEmNegra surge, portanto, como uma ferramenta de resistência e mobilização, incentivando o eleitorado a valorizar candidaturas que priorizem a agenda da igualdade racial. O objetivo é que, ao final do pleito, a presença dessas mulheres nas casas legislativas e no Executivo não seja apenas uma exceção, mas uma prioridade absoluta para a construção de um Brasil mais justo.

O Fato Paulista segue acompanhando de perto os desdobramentos das eleições de 2026 e o impacto das pautas sociais na construção do futuro político do país. Continue conosco para mais análises, reportagens aprofundadas e o compromisso constante com a informação de qualidade.

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