
O julgamento do caso Henry Borel, que chocou o país pela brutalidade e pelas circunstâncias da morte do menino de apenas 4 anos, atingiu seu sétimo dia neste domingo. No banco dos réus, o ex-vereador Jairo Souza Santos, conhecido como Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança, respectivamente, enfrentam acusações graves relacionadas ao homicídio. A sessão atual do Tribunal do Júri, presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro, concentra-se na fase de oitiva das testemunhas de defesa, um momento crucial para o desdobramento do processo.
A expectativa é que esta etapa do julgamento se estenda por toda a semana, dada a complexidade e o volume de informações a serem analisadas. A atenção se volta para os depoimentos que buscam contestar a narrativa da acusação, que aponta Jairinho como o agressor e Monique como cúmplice por omissão.
O Andamento do Júri e o Foco na Defesa
A fase de defesa teve início no sábado (30), com a convocação de testemunhas que buscam apresentar uma nova perspectiva sobre os réus. O depoimento mais extenso e aguardado foi o do engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique Medeiros. Durante mais de oito horas, Bryan respondeu a perguntas da juíza, das equipes de defesa e da acusação, representada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Em sua fala, Bryan descreveu Monique como uma mãe zelosa e dedicada, que sempre trabalhou e apoiou o ex-marido, Leniel Borel, pai de Henry, em todos os momentos da vida. Ele também abordou o início do relacionamento de sua irmã com Jairinho, mencionando que os dois se conheceram pela internet e que o ex-vereador era visto como gentil, sem levantar suspeitas de que pudesse ser o autor das agressões que resultaram na morte do garoto. Para a defesa, a prioridade de Monique sempre foi o filho, e ela jamais permitiria qualquer tipo de violência contra ele.
Contradições e a Tese da Manipulação
Um ponto central do depoimento de Bryan foi a alegação de que, após a divulgação dos laudos periciais que indicavam lesões em Henry decorrentes de agressões, Jairinho teria tentado persuadir Monique a mentir sobre os fatos que antecederam a morte da criança. Segundo Bryan, uma prima alertou a família sobre a possibilidade de Monique estar sendo manipulada, o que levou à decisão de buscar uma defesa separada para ela, desvinculando-a da estratégia de Jairinho.
No entanto, a acusação, por meio do advogado Cristiano Medeiros, assistente ligado ao pai de Henry, Leniel Borel, minimizou a relevância do testemunho de Bryan. Em nota à imprensa, Medeiros afirmou que o depoimento não altera o conjunto de provas do processo, pois Bryan não presenciou os fatos e suas informações teriam sido repassadas por Monique após sua prisão, quando ela já teria interesse em construir uma versão defensiva. A acusação reforça que documentos no processo comprovam que Henry sofreu lesões enquanto estava sob os cuidados da mãe e do padrasto.
A Perspectiva da Acusação e as Provas Periciais
Antes da fase de defesa, os jurados ouviram as testemunhas de acusação, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, cujo depoimento se estendeu até as primeiras horas da madrugada de sábado. A tese da defesa de Jairinho, que argumenta que a laceração hepática – causa da hemorragia e morte de Henry, conforme o laudo pericial – teria sido provocada pelas manobras de ressuscitação no hospital, foi veementemente refutada por especialistas.
O médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa tese durante o julgamento. Em depoimento anterior, outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, detalhou a extensão das lesões, afirmando que Henry apresentava três traumatismos em diferentes locais da cabeça, contusões nos pulmões, hemorragia retroaórtica e hemorragia peritoneal no abdômen, esta última sendo a causa do óbito. Saveedra foi enfático ao declarar que Henry já estava sem vida quando chegou ao hospital. O delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso, também confirmou que Jairinho exerceu pressão para que a unidade de saúde atestasse a morte da criança sem encaminhar o corpo para o Instituto Médico Legal (IML), onde seria periciado. Mais detalhes sobre os laudos podem ser encontrados em reportagem da Agência Brasil.
Antecedentes do Caso Henry Borel e as Acusações
O trágico episódio que levou à morte de Henry Borel ocorreu na madrugada de 8 de março de 2021. Segundo a denúncia do Ministério Público, Dr. Jairinho espancou o menino até a morte, enquanto Monique Medeiros, sua mãe, se omitiu de sua responsabilidade, contribuindo para o desfecho fatal. A acusação aponta que, em pelo menos outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairinho já havia submetido Henry a sofrimento físico e mental por meio de violência.
As acusações contra os réus são diversas e graves. Jairinho é acusado de homicídio qualificado por meio cruel, que impossibilitou a defesa da vítima; três crimes de tortura praticados contra criança; fraude processual; e coação no curso do processo, entre outros. Monique Medeiros responde por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado e omissão de socorro. O desenrolar deste julgamento é acompanhado de perto pela sociedade, que busca por justiça em um caso que expôs a vulnerabilidade infantil e a complexidade das relações familiares.
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