As iniciativas em curso resultarão em diversos benefícios sociais e ambientais. A recuperação de um volume maior de materiais recicláveis, com incremento da circularidade, é um deles. Outro é a redução do volume de resíduos que vai para os aterros sanitários, ampliando assim a vida útil desses empreendimentos. Será possível, ainda, produzir energia elétrica, Combustível Derivado de Resíduos (CDR) e biometano, tudo a partir do que hoje chamamos de “lixo”.
A limpeza urbana e a gestão de resíduos na capital paulista têm sido aprimoradas continuamente, mas, desde junho de 2024, quando os contratos das concessionárias Ecourbis e da Loga – empresas responsáveis pelos serviços – foram renovados, com a definição de novas obrigações, os esforços estão sendo intensificados. Prova disso foi a universalização da coleta seletiva, ainda em 2024; e mais recentemente a substituição dos caminhões a diesel por veículos sustentáveis, como elétricos e que utilizam biometano (combustível produzido a partir da decomposição dos resíduos destinados ao aterro sanitário) ou Gás Natural Veicular (GNV).
Agora, o passo seguinte da evolução da gestão de resíduos em São Paulo é a construção de ecoparques, locais onde diferentes tecnologias e processos para tratar e valorizar os resíduos são empregados simultaneamente.
A Ecourbis Ambiental, a concessionária responsável pela coleta de resíduos domiciliares (comum e reciclável) em 19 das subprefeituras da cidade, nas zonas sul e leste, foi encarregada pela Prefeitura de São Paulo de construir dois ecoparques, um em cada região de sua área de atuação. O investimento total deverá girar em torno de 6 bilhões de reais. Vale lembrar que, no município de São Paulo, a população gera 12 mil toneladas de resíduos por dia. Só no Agrupamento Sudeste, área atendida pela Ecourbis, são 7 mil toneladas a cada 24 horas.
Entre outros equipamentos, os ecoparques contarão com Unidades de Recuperação Energética (UREs). Trata-se de um sistema para tratamento térmico dos resíduos, que reduz o volume total em aproximadamente 90% e adicionalmente gera energia elétrica. A decisão de instalar esses equipamentos na capital paulista foi precedida de muitos estudos técnicos e viagens ao exterior, tanto de profissionais da Ecourbis quanto de representantes da Prefeitura de São Paulo.
O próprio prefeito Ricardo Nunes esteve na Ásia, em 2025, para conhecer pessoalmente como as URE’s funcionam no Japão e na China. Na época, ele afirmou em suas redes sociais ter ficado impressionado positivamente com os equipamentos. Entre os motivos, destacou a questão da sustentabilidade – usar resíduos para produzir energia elétrica – e a ausência de poluição, pois as URE’s contam com sistemas robustos para tratamento de efluentes gasosos. Em um de seus posts, o prefeito mostra que o equipamento, instalado em uma cidade japonesa, está no meio de uma área urbana repleta de prédios residenciais, frisando que não havia qualquer odor no local. Antes e após a viagem de Ricardo Nunes à Ásia, técnicos da prefeitura foram conhecer outros empreendimentos na Europa.
A Ecourbis tem como obrigação contratual construir duas URE’s, cada uma com capacidade para tratar 1 mil toneladas de resíduos por dia. Juntas, as duas unidades terão capacidade para suprir 50% da demanda energética da cidade de São Paulo com a iluminação pública.
A despeito dos inúmeros benefícios com a instalação de URE’s, entre eles colocar a capital paulista na vanguarda da gestão ambientalmente adequada de resíduos, há grupos que têm se posicionado de forma contrária aos empreendimentos, inclusive disseminando informações falsas. Uma das inverdades é que os equipamentos produzem gases tóxicos que provocam câncer. Caso essa informação fosse real, instalações como a do Japão, visitada pelo prefeito Ricardo Nunes, em hipótese alguma estaria em uma área urbana.
Outro bom exemplo de que as URE’s não provocam danos ao meio ambiente e às pessoas está em Copenhague, a capital da Dinamarca. Lá, distante poucos quilômetros do Palácio de Christiansborg, sede do governo da Dinamarca; desde 2019 funciona a CopenHill, uma URE que se transformou em atração turística por conta de sua arquitetura. No topo do prédio onde está instalado o equipamento, há inclusive um restaurante.
A prefeitura de São Paulo, por meio da SP Regula, a Agência Reguladora de Serviços do Município de São Paulo, juntamente com a Ecourbis e a Loga, tem desenvolvido diversas ações para disseminar informações verídicas e de qualidade sobre os ecoparques e as UREs. Para tanto, realiza eventos abertos ao público, como o Seminário Internacional de Resíduos Sólidos, promovido em março, na sede da prefeitura.
Outra iniciativa foi o desenvolvimento de um documento, disponível nas redes sociais – https://www.instagram.com/p/DWmBI-fjZGS/?img_index=1 – com um conjunto de perguntas e respostas sobre os “Mitos e Verdades sobre a URE”. Uma das informações mais relevantes talvez seja esclarecer que, embora ambos os sistemas contemplem a incineração/tratamento térmico, URE’s e incineradores são equipamentos totalmente distintos em termos de funcionamento e benefícios. Os incineradores como os que existiram no passado em diversas cidades brasileiras, inclusive em São Paulo, se limitavam a queimar os materiais, sem qualquer benefício energético, e com o agravante de que não contavam com sistemas de tratamento de gases. É provável que os críticos às UREs considerem que os novos equipamentos funcionem da mesma forma, o que não irá ocorrer.
Vale destacar que a atual legislação ambiental é extremamente rigorosa em torno dos cuidados que devem ser adotados.
De volta aos ecoparques e às tecnologias para valorizar os resíduos que farão parte desses complexos, a Ecourbis está construindo uma Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (UTMB), na mesma área onde está o Aterro Sanitário CTL – Central de Tratamento de Resíduos Leste. Com capacidade para tratar 550 mil toneladas por ano de resíduos, o equipamento irá separar recicláveis que não podem ser aproveitados na indústria de transformação porque foram misturados com lixo comum. Esse material será utilizado para produzir o Combustível Derivado de Resíduos (CDR), o insumo que as cimenteiras utilizam em seus fornos. O CDR terá ainda uma parte de resíduos orgânicos, que serão secos utilizando o biogás do próprio aterro, pois o combustível precisa ter um poder calorífico específico.
A meta da Prefeitura de São Paulo é reduzir em 70% o volume de resíduos encaminhados para os aterros sanitários. Este percentual é superior ao estabelecido no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), que prevê uma redução de 64%. Enviar menos resíduos para os aterros significa prolongar a vida útil desses empreendimentos, reduzindo assim a pressão para buscar novas áreas. No caso específico da cidade de São Paulo, que conta com apenas um aterro municipal – a CTL, operada pela Ecourbis – e não dispõe de áreas para construir um novo empreendimento, a ampliação da vida útil representa economia de recursos públicos, pois, do contrário, seria necessário encaminhar os resíduos para outras cidades. Além do gasto com combustível no transporte, haveria ainda o impacto negativo de aumento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).
A cidade de São Paulo já conta com infraestrutura para garantir coleta e destinação correta de resíduos. mas a construção de ecoparques segue a lógica de buscar soluções cada vez mais modernas e sustentáveis. Que venha o futuro.
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