O diretor chileno-italiano Marco Bechis foi um dos convidados internacionais da 50ª Mostra SP, realizada na capital paulista. Durante sua passagem pelo evento, o cineasta exibiu seu novo longa Retorno a Buenos Aires e recebeu o Prêmio Humanidade.
Com Paula Cohen no elenco, a produção cinematográfica acompanha o julgamento de crimes cometidos durante a ditadura argentina. A trama gira em torno do médico Mariano Guerra, interpretado por Adriano Giannini, que retorna a Buenos Aires após passar 33 anos na Itália para testemunhar contra ex-militares responsáveis por seu sequestro, tortura e escravização.
A trama de sobrevivência e memória
Hospedado junto a outros sobreviventes da repressão, o protagonista reencontra antigos companheiros de militância. Nesse processo, ele é obrigado a confrontar o peso de ter sobrevivido e as lembranças traumáticas do período de perseguição política.
O enredo guarda semelhanças profundas com a biografia do próprio cineasta, que foi preso durante o regime militar na Argentina. No entanto, Marco Bechis prefere ressaltar que a obra não se trata de um projeto pessoal, mas sim de uma narrativa coletiva sobre a experiência dos sobreviventes.
A necessidade de relembrar a história
Para o diretor, a sociedade contemporânea mantém uma necessidade constante de revisitar e relembrar o passado. Segundo ele, governos passam, mas a memória histórica do continente se constrói de forma mais lenta e sólida através do debate público e da cultura.
O cineasta aponta que o continente sul-americano carrega cicatrizes profundas deixadas por regimes autoritários do passado. Em sua visão, as nações que enfrentaram governos ditatoriais precisam inevitavelmente passar pelo processo de julgamento de crimes cometidos por ex-militares.
O peso das ditaduras na América Latina
Durante os debates sobre seu novo filme, Marco Bechis destacou que as feridas históricas deixadas em países como o Brasil e o Chile precisarão ser afrontadas com muita seriedade pelas instituições e pela sociedade civil.
O compromisso com a verdade e com a justiça surge como um caminho incontornável para a consolidação democrática na região, ecoando discussões que permanecem atuais nos debates sobre direitos humanos.
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