Desde a desestatização da Sabesp, concretizada pelo Governo de São Paulo em 2024, o setor de saneamento básico no estado atravessa uma fase de transformações estruturais profundas. O movimento, desenhado para acelerar a universalização do acesso à água tratada e à coleta de esgoto, alterou a dinâmica de investimentos e a forma como a companhia se relaciona com a infraestrutura urbana e as populações mais vulneráveis.
Aceleração de obras e volume de investimentos
O cenário atual é marcado por uma intensa atividade operacional. A Sabesp mantém hoje cerca de 1,2 mil frentes de obra simultâneas em todo o território paulista, um volume seis vezes superior ao registrado sob o regime anterior. Esse esforço é sustentado por um contrato robusto, que prevê aportes totais de R$ 260 bilhões até 2060, com uma meta ambiciosa de injetar R$ 70 bilhões até 2029.
Em 2025, o montante investido alcançou R$ 15,2 bilhões, representando um crescimento de 120% em relação ao ano anterior. Ao analisar o investimento por habitante, a média projetada pela companhia supera significativamente os indicadores nacionais. Enquanto o Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, apontou uma média nacional de R$ 137,02 por habitante em 2024, a Sabesp projeta investir uma média de R$ 369 por habitante nos próximos anos, consolidando uma estratégia de antecipação de metas.
Universalização antecipada e expansão da cobertura
O objetivo central da nova gestão é antecipar em quatro anos o prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento. A meta é atingir 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2029, antecipando o prazo federal de 2033. Desde 2024, os resultados indicam que 2,1 milhões de pessoas passaram a ter água tratada, enquanto 4,3 milhões foram beneficiadas com serviços de esgoto.
Além da expansão quantitativa, houve uma mudança de paradigma na inclusão social. Pela primeira vez, áreas rurais e comunidades em situação de vulnerabilidade, que anteriormente ficavam à margem dos projetos de expansão, foram integradas ao mapa de investimentos. Um censo iniciado em 2025 está mapeando essas regiões para garantir que a infraestrutura chegue a locais historicamente desassistidos.
Regulação tarifária e impacto social
A política de tarifas também passou por ajustes sob o novo modelo regulatório. Em julho de 2024, houve uma redução imediata de 10% nas tarifas social e vulnerável, além de quedas nas categorias residenciais e comerciais. Em janeiro de 2026, a revisão tarifária foi balizada estritamente pela inflação, resultando em valores cerca de 15% menores do que seriam praticados caso a empresa permanecesse sob o controle estatal integral.
O alcance da Tarifa Social Paulista foi ampliado de forma expressiva, saltando de 2,98 milhões para 6 milhões de beneficiados. Na Região Metropolitana de São Paulo, o impacto foi ainda mais concentrado, com o número de atendidos subindo de 2,57 milhões para 4,5 milhões. A criação da categoria Social II, voltada a núcleos urbanos informais em processo de regularização, reforça o compromisso de levar dignidade a famílias que antes não tinham acesso formal aos serviços.
Qualidade e fiscalização do pavimento
Um dos pontos de maior atrito com a população — a qualidade do asfalto após as obras — passou a ser monitorado por indicadores contratuais rigorosos. O novo contrato introduziu o Fator Q, que vincula o reajuste tarifário à eficiência na reposição do pavimento. Dois indicadores, o IPRP (prazo de recomposição) e o ICERP (conformidade na execução), foram criados para garantir que as intervenções de saneamento não resultem em prejuízos à infraestrutura viária das cidades.
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