O Governo de São Paulo oficializou, nesta segunda-feira (22), a implementação de uma nova metodologia voltada ao monitoramento da segurança hídrica na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). A medida, publicada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), busca refinar a análise sobre o comportamento dos mananciais, incorporando lições aprendidas após o primeiro ano de aplicação do modelo anterior e projeções hidrológicas atualizadas.
Foco estratégico no Sistema Cantareira
Uma das mudanças mais significativas é a criação de uma curva de monitoramento exclusiva para o Sistema Cantareira. Responsável por cerca de 50% da capacidade de armazenamento do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), o Cantareira possui características hidrológicas distintas dos demais reservatórios. A nova faixa de análise permite antecipar tendências com maior precisão, garantindo que variações específicas de volume não sejam mascaradas pela média geral do sistema.
Segundo a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a decisão de isolar o Cantareira na análise técnica responde a um cenário de chuvas abaixo da média registrado recentemente. A metodologia estabelece que, caso as curvas de monitoramento indiquem faixas de segurança diferentes, prevalecerá sempre a condição mais crítica. Essa postura de prudência visa assegurar a continuidade do abastecimento e fortalecer a resiliência do sistema diante de instabilidades climáticas.
Base de dados ampliada e gestão mensal
Para tornar as projeções mais consistentes, o Estado passou a utilizar uma base de dados que abrange a série histórica dos últimos 15 anos. Esse recorte temporal é considerado estratégico por incluir eventos climáticos extremos, como as variações causadas pelos fenômenos El Niño e La Niña. A intenção é que o modelo seja capaz de interpretar com maior clareza os ciclos secos, chuvosos e intermediários, adaptando-se ao comportamento real da natureza.
O rito de comunicação também foi alterado. A definição da faixa vigente de operação ocorrerá em reuniões mensais do Comitê de Integração das Agências, com a publicação de uma nota técnica ao final de cada mês. É importante ressaltar que as faixas de atuação permanecem inalteradas, variando de 1 a 7, e continuam a nortear o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), que inclui desde a gestão de demanda noturna até o rodízio entre regiões, conforme a necessidade.
Investimentos em resiliência e infraestrutura
O aprimoramento da gestão hídrica é acompanhado por um robusto plano de obras de infraestrutura. O Governo de São Paulo tem investido na ampliação da oferta de água bruta e na capacidade de reservação. Entre as entregas recentes, destacam-se as transferências Itapanhaú e Guaratuba, além da implantação de novos reservatórios em centros estratégicos da região metropolitana. O objetivo é evitar crises como a vivenciada em 2025, ano marcado por baixo índice pluviométrico, mas que teve o impacto mitigado pela gestão de demanda.
Projetos de longo prazo, como a Transposição Billings-Taiaçupeba e o tratamento por membrana na ETA Rio Grande, compõem um pacote de investimentos que supera os R$ 25 bilhões em todo o estado. Essas iniciativas, somadas ao programa Rios Vivos, que atua na revitalização de cursos d’água, formam o pilar de sustentação para a segurança hídrica paulista nos próximos anos. Para acompanhar os desdobramentos dessas políticas públicas e outras notícias relevantes sobre o estado, continue acompanhando o Fato Paulista, seu portal de referência em informação com credibilidade.




