A superação e o exemplo de vida na doação
O mês de setembro, marcado pela campanha Setembro Verde, reforça a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. Um exemplo prático dessa possibilidade é a história de Arivaldo Sampaio. Em 2023, aos 69 anos, ele tomou a decisão de doar um de seus rins para o filho, que enfrentava a falência do órgão e dependia de sessões diárias de hemodiálise. Após uma bateria rigorosa de exames, a compatibilidade foi confirmada, permitindo que o procedimento fosse realizado com sucesso.
A experiência de Arivaldo, hoje com 72 anos, desmistifica a ideia de que a idade avançada é um impeditivo para o ato de doar. “Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça”, relata. O professor de educação física aposentado mantém, três anos após a cirurgia, uma rotina ativa com exercícios físicos regulares e acompanhamento médico anual no Hospital Universitário de Brasília (HUB), provando que a qualidade de vida pode ser preservada mesmo após a retirada de um órgão.
Avaliação médica e critérios de segurança
Embora a idade não seja um fator de exclusão automática, o processo para doadores vivos exige um protocolo de segurança rigoroso. O médico nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do HUB, explica que a avaliação é individualizada. O objetivo central é garantir que o doador, uma pessoa saudável e altruísta, não sofra riscos desnecessários e mantenha uma vida plena após o procedimento.
O protocolo clínico envolve uma análise profunda do estado de saúde do candidato, incluindo:
- Exames de sangue e urina detalhados
- Avaliação da função renal e cardiovascular
- Exames de imagem precisos
- Histórico clínico e presença de comorbidades
À medida que o doador envelhece, aumenta a probabilidade de surgirem condições como hipertensão ou diabetes, que podem contraindicar a doação. No entanto, se o indivíduo apresentar uma função renal adequada e estiver livre dessas patologias, a doação é viável e segura.
O cenário dos transplantes no Brasil
O Brasil atingiu em 2025 um marco histórico com 4.335 doadores efetivos, alcançando a taxa de 20,3 doadores por milhão de habitantes. Apesar do avanço, o Sistema Nacional de Transplantes aponta que cerca de 49,4 mil brasileiros ainda aguardam por uma oportunidade na fila de espera. A doação entre vivos, quando realizada entre parentes de até o quarto grau ou cônjuges, dispensa autorização judicial, facilitando o acesso ao tratamento.
Para casos fora desse espectro familiar, a legislação exige uma autorização judicial específica. O sucesso de casos como o de Arivaldo Sampaio serve como um lembrete de que o cuidado com a saúde ao longo da vida é o que permite, muitas vezes, que um idoso possa estender a mão e salvar a vida de um familiar. O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos das políticas de saúde pública e o impacto do Setembro Verde na sociedade brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que transformam o nosso país.




