STF valida leis estaduais que restringem incentivos a empresas da Moratória da Soja

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STF valida leis estaduais que restringem incentivos a empresas da Moratória da Soja, gerando críticas de ambientalistas sobre riscos ao bioma.
STF valida leis estaduais que restringem incentivos a empresas da Moratória da Soja
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Reprodução / Agenciabrasil.Ebc.Com

O Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu uma decisão que gerou reações imediatas entre organizações ambientais. A Corte considerou parcialmente constitucionais leis estaduais de Mato Grosso e de Rondônia que proíbem a concessão de incentivos fiscais e o repasse de terrenos públicos a empresas signatárias da Moratória da Soja. O julgamento, que impacta diretamente a dinâmica entre o setor produtivo e os compromissos de preservação, estabeleceu que a supressão desses benefícios deve respeitar prazos tributários, como o exercício seguinte ou o intervalo de 90 dias.

A decisão ocorre em um momento sensível para a política ambiental brasileira. Enquanto o tribunal validou a constitucionalidade da própria Moratória da Soja — encerrando disputas jurídicas sobre a legalidade do acordo —, a permissão para que estados criem barreiras a empresas que aderem ao pacto é vista por especialistas como um sinal contraditório. O acordo, vigente desde 2006, estabelece que o setor não comercializa grãos produzidos em áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008.

Impactos no compromisso ambiental e no setor privado

Para ambientalistas, a medida é um retrocesso que ameaça os avanços recentes na redução do desmatamento. Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, alertou que a validação dessas leis estaduais desestimula o engajamento do setor privado em metas de preservação. Segundo a especialista, ao penalizar empresas que vão além do mínimo exigido pela legislação ambiental, os estados dificultam o cumprimento das metas climáticas nacionais.

O cenário de incerteza já havia provocado movimentações no mercado antes mesmo do veredito do STF. Em janeiro deste ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída do acordo voluntário, citando o ambiente regulatório adverso. A preocupação é que o enfraquecimento do pacto acelere a degradação florestal.

Projeções sobre o desmatamento na Amazônia

Estudos científicos reforçam o temor das organizações. Uma pesquisa publicada na revista Science projeta que a extinção ou o enfraquecimento da Moratória da Soja pode resultar em um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia ao longo da próxima década. O dado ilustra a dimensão do risco que a fragilização de acordos voluntários representa para o bioma.

Angela Barbarulo, gerente Jurídica do Greenpeace Brasil, classificou a decisão como contraditória. Para ela, o STF legitima, ao mesmo tempo, a importância da Moratória e as leis que, na prática, punem quem a cumpre. A controvérsia jurídica coloca em xeque a eficácia de mecanismos de autorregulação que, por quase duas décadas, foram pilares da estratégia brasileira contra o desmatamento ilegal.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta decisão e seus efeitos práticos na economia e no meio ambiente. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que moldam o futuro do país, com a profundidade e a credibilidade que você exige.

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