Stablecoins dominam 80% das operações com criptoativos declaradas à Receita Federal

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Stablecoins representam 80% das operações cripto declaradas à Receita Federal. Entenda o impacto da nova regulação DeCripto no mercado brasileiro.
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© Reuters/Edgar Su/Proibida reprodução
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A ascensão das moedas estáveis no mercado brasileiro

As stablecoins, ativos digitais projetados para manter paridade com moedas fiduciárias como o dólar e o real, consolidaram-se como a principal escolha dos investidores brasileiros. Segundo dados recentes da Receita Federal, esses ativos representaram cerca de 80% de todo o volume de criptoativos declarado ao Fisco durante o ano de 2025. O cenário reflete uma mudança estrutural na forma como brasileiros utilizam a tecnologia blockchain para movimentar recursos.

Diferente de criptomoedas voláteis, como o Bitcoin, as stablecoins funcionam como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo digital. Essa característica de estabilidade tem atraído tanto investidores que buscam proteção contra oscilações de mercado quanto usuários que realizam transferências internacionais e remessas de valores, tornando-as ferramentas essenciais na economia digital contemporânea.

Mudança de perfil e transparência fiscal

O domínio das stablecoins ocorre em um momento de transição regulatória importante para o país. A partir de julho, entra em vigor a DeCripto, uma nova plataforma de declaração que visa unificar e ampliar o controle sobre as transações com ativos digitais. A medida está alinhada ao padrão da OCDE, conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), conforme estabelecido pela Instrução Normativa RFB nº 2.291.

A Receita Federal reforça que o objetivo central dessa nova exigência é o combate à lavagem de dinheiro, à evasão de divisas e ao financiamento de atividades ilícitas. Com a nova regra, plataformas estrangeiras que oferecem serviços a residentes no Brasil também deverão reportar suas operações, eliminando brechas que anteriormente dificultavam a fiscalização de transações realizadas fora do território nacional.

Crescimento exponencial na última década

A trajetória das stablecoins no Brasil é marcada por um crescimento acelerado. Em 2019, esses ativos representavam apenas 3,5% do volume mensal de criptoativos declarados. A curva de adoção foi íngreme: em 2023, a participação atingiu a marca de 91,5%, com um pico mensal de 94,3% em julho daquele ano. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, o volume total de operações declaradas somou R$ 1,58 trilhão, sendo que R$ 1,13 trilhão desse montante foi movimentado exclusivamente via stablecoins.

Dentro desse ecossistema, a USDT, emitida pela Tether, mantém uma liderança absoluta, sendo responsável por 88,7% do volume declarado no período. Em seguida, aparecem a USDC, com 7,1%, e a BRZ, stablecoin lastreada no real, com 3,4%. O volume financeiro atingiu seu ápice histórico em novembro de 2025, quando as operações com esses ativos somaram R$ 39,7 bilhões em um único mês.

Impacto nas operações e o papel das plataformas

O avanço não se limita apenas ao valor financeiro, mas também à frequência de uso. Ao longo do período analisado, foram registradas 185,7 milhões de operações de compra e venda. A Receita Federal destaca que a obrigatoriedade de prestar informações independe de tributos a pagar, sendo um pilar fundamental para a transparência do mercado.

Para o investidor, a nova fase regulatória traz mais segurança jurídica e clareza sobre as obrigações fiscais. O Fato Paulista segue acompanhando de perto as atualizações do mercado financeiro e as mudanças na legislação tributária, garantindo que você tenha acesso a informações precisas e contextualizadas. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre as transformações da economia digital e outros temas de relevância nacional.

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