O cenário do humor brasileiro perdeu um de seus talentos mais versáteis e queridos com o falecimento do ator e humorista Roberto Marquis, aos 83 anos, em 23 de março de 2026. Conhecido por dar vida a personagens icônicos em “A Praça é Nossa”, do SBT, como o Guarda Juju, Tanaka, Osório e Teobaldo, Marquis deixou uma marca indelével na memória do público. No entanto, sua trajetória também foi marcada por um doloroso drama nos bastidores da televisão, revelando uma mágoa profunda sobre a forma como foi desligado da emissora.
A notícia de sua partida ressoa entre fãs e colegas, que relembram não apenas o brilho de suas atuações, mas também as dificuldades enfrentadas por muitos veteranos da arte. A história de Roberto Marquis é um espelho das alegrias e dos desafios de uma carreira dedicada ao entretenimento, onde o sucesso nem sempre se traduz em um final de jornada tranquilo.
Roberto Marquis: legado no humor e personagens inesquecíveis
Nascido em 1942 na capital paulista, Roberto Marquis construiu uma carreira multifacetada que se estendeu por mais de seis décadas. Sua jornada artística teve início na década de 1960 na extinta TV Tupi, um dos berços da televisão brasileira. Antes de se consagrar no formato de bancos de praça que se tornaria sua marca registrada, Marquis explorou diversas áreas da comunicação e do entretenimento.
Ele foi uma figura requisitada em comerciais de televisão, onde criou o famoso personagem Teobaldo para o Guaraná Antarctica nos anos 70, um papel que o tornou conhecido em todo o país. Sua voz também se destacou como narrador e dublador, emprestando sua interpretação ao personagem Curry Joe na clássica série “Os Três Patetas”. A versatilidade de Marquis não se limitava à atuação cômica; ele também se aventurou na música, gravando nove discos ao longo da carreira, com faixas festivas e marchinhas de Carnaval. No cinema, demonstrou talento nos bastidores ao atuar como produtor.
Na televisão, esteve presente em programas fundamentais das primeiras décadas do entretenimento nacional, participando de atrações como o “Moacyr Franco Show”, “Chico Anysio Show” e o “Programa Silvio Santos”. Após integrar programas nos primeiros anos do SBT, ele fez parte do elenco inicial da “Praça Brasil”, que mais tarde migraria integralmente para dar origem a “A Praça É Nossa” em 1987. Por mais de duas décadas, Marquis foi um membro fixo do programa, além de participar de outros sucessos da casa, como “A Escolinha do Golias” e “Ô Coitado”.
A dolorosa dispensa do SBT e a mágoa exposta
Apesar de sua inegável contribuição para o humor brasileiro, a relação de Roberto Marquis com a televisão sofreu um revés em 2012. Naquele ano, ele foi desligado de “A Praça é Nossa” em meio a uma onda de cortes de elenco, um período de reestruturação que afetou diversos veteranos da emissora. Anos mais tarde, em entrevista ao programa “TV Fama”, o ator abriu o coração sobre a forma como foi tratado, externando uma mágoa que o acompanharia.
Marquis relatou publicamente sua dispensa, afirmando: “Fui descartado porque tiraram todos os velhos.” Ele reconhecia as pressões hierárquicas e orçamentárias que poderiam ter levado à decisão da emissora. No entanto, o humorista reprovou o método adotado por Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador do programa, na comunicação do desligamento. “Ele disse que era funcionário e foi obrigado a fazer isso, mas existem maneiras diferentes de fazê-lo. ‘Olha, Silvio quer que reforme a Praça e você está fora’. Eu sairia agradecido, mas não fazer da forma que fizeram”, desabafou Marquis, evidenciando o impacto emocional de uma demissão abrupta e sem o devido tato.
A despedida e o reconhecimento do SBT
Diante da triste notícia de seu falecimento, o SBT emitiu uma nota oficial de pesar, lamentando profundamente a perda do artista e exaltando sua importância para a história da emissora e para o público brasileiro. A nota destacou a capacidade de Marquis de encantar e divertir, mencionando especificamente seus papéis como o longevo Teobaldo e o memorável Guarda Juju em “A Praça é Nossa”.
O comunicado do SBT ressaltou: “Naquele mesmo banco, regido por Carlos Alberto de Nóbrega, Marquis também foi Tanaka e Osório, fora o papel de exímio profissional desempenhado junto aos colegas nos bastidores. Solícito, gentil e sempre pronto a fazer rir, Marquis deixa saudade em seus companheiros e na plateia, com a certeza de ter feito muita gente mais feliz neste mundo. Aos amigos e familiares, nosso abraço afetuoso.” Essa homenagem póstuma reconhece o legado de um artista que, apesar das adversidades pessoais, dedicou sua vida a levar alegria e entretenimento aos lares brasileiros.
O legado de Roberto Marquis permanece vivo na memória dos telespectadores que cresceram acompanhando suas tiradas bem-humoradas no banco mais famoso do Brasil. Sua história serve como um lembrete da complexidade da vida artística, onde o talento e a dedicação muitas vezes se encontram com as duras realidades do mercado. Para continuar acompanhando notícias relevantes e aprofundadas sobre o mundo do entretenimento e outros temas que impactam seu dia a dia, clique aqui e explore o Fato Paulista, seu portal de informação completa e contextualizada.




