O horário das 21h da TV Globo é historicamente o espaço de maior prestígio e visibilidade na teledramaturgia brasileira. Desde 2013, o autor Walcyr Carrasco consolidou-se como um dos principais nomes desta faixa, entregando sucessos de audiência como Amor à Vida, O Outro Lado do Paraíso, A Dona do Pedaço e, mais recentemente, Terra e Paixão. No entanto, uma curiosidade chama a atenção dos telespectadores e especialistas em televisão: apesar do desempenho comercial e popular dessas obras, nenhuma delas retornou à grade de programação da emissora em formato de reprise na TV aberta.
Trajetória de sucessos e o critério de seleção da emissora
A ausência de reexibições não está relacionada à falta de apelo popular, mas sim a uma mudança estratégica na política de programação da Globo. Nos últimos anos, a emissora tem priorizado a recuperação de clássicos produzidos entre as décadas de 1990 e 2000 para as faixas de reapresentação. Esse movimento busca atingir um público nostálgico e testar a força de tramas que marcaram época, deixando produções mais recentes, como as de Carrasco, em um segundo plano estratégico.
Durante o período crítico da pandemia de Covid-19, a necessidade de edições especiais forçou a emissora a recorrer a títulos como Fina Estampa, A Força do Querer e Império. Embora essas tramas tenham ocupado o horário nobre, elas não seguem o padrão de “novela clássica” que a emissora costuma reservar para o Vale a Pena Ver de Novo, onde o critério de antiguidade e o fator memória afetiva pesam significativamente na decisão final da diretoria de programação.
O peso da audiência e o futuro das tramas
As produções de Walcyr Carrasco no horário nobre são conhecidas por sua estrutura narrativa ágil e pelo alto engajamento nas redes sociais. Amor à Vida (2013), por exemplo, entrou para a história ao exibir o primeiro beijo entre dois homens em uma novela da emissora. Já O Outro Lado do Paraíso (2017) e A Dona do Pedaço (2019) registraram índices de audiência que, em diversos momentos, superaram a casa dos 40 pontos, um feito cada vez mais raro no cenário atual de fragmentação da atenção do público.
Apesar de não terem sido escaladas para a TV aberta, essas obras permanecem no radar da emissora. A disponibilidade de títulos no catálogo do Globoplay, onde o consumo sob demanda é intenso, acaba suprindo parte da demanda do público por essas histórias. A estratégia da Globo, portanto, parece ser a de preservar o valor dessas produções para momentos em que a grade necessite de um impacto de audiência garantido, tratando-as como trunfos que ainda não foram utilizados.
Contexto histórico da teledramaturgia
Para compreender a dimensão do que a Globo busca, é preciso olhar para o recorde absoluto de audiência da televisão brasileira. Roque Santeiro, escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva, exibida entre 1985 e 1986, atingiu a marca histórica de 74 pontos no IBOPE. Embora o mercado televisivo tenha mudado drasticamente desde então, com a concorrência direta dos serviços de streaming e das redes sociais, as novelas de Walcyr Carrasco ainda são consideradas os pilares de sustentação da audiência contemporânea da emissora.
O Fato Paulista segue acompanhando as movimentações da grade da TV Globo e os bastidores das produções que moldam o entretenimento no Brasil. Continue conosco para se manter informado sobre as novidades da teledramaturgia, análises de mercado e os principais desdobramentos do mundo do entretenimento com a credibilidade e o rigor que você já conhece.




