O comportamento do turista brasileiro passa por uma transformação significativa. Embora o número de pessoas com perfil viajante tenha registrado uma queda de 6% no último ano, totalizando 17,9 milhões de indivíduos, o planejamento tornou-se a palavra de ordem. Dados recentes da Serasa Experian revelam que, mesmo viajando menos, o consumidor está mais atento a estratégias para reduzir custos e maximizar benefícios, com um foco quase obsessivo em programas de fidelidade.
A ascensão estratégica dos programas de milhas
O interesse por milhas aéreas deixou de ser um detalhe para se tornar o pilar central das decisões de viagem. Atualmente, oito em cada dez viajantes brasileiros demonstram interesse direto em programas de milhagem, um salto expressivo de 31,7 pontos percentuais em comparação a 2025. Esse movimento indica que o viajante moderno não busca apenas o destino, mas a viabilidade financeira da experiência através do acúmulo e resgate de pontos.
Essa mudança de postura reflete uma maturidade do consumidor, que utiliza a tecnologia para comparar preços e encontrar brechas de economia. A jornada digital segue consolidada, com mais de 91% dos viajantes utilizando a internet para pesquisar, comparar e efetivar a compra de serviços turísticos. A conveniência do ambiente online, aliada à necessidade de otimizar o orçamento, transformou o ato de viajar em um exercício de inteligência financeira.
O perfil do caçador de ofertas e a realidade orçamentária
O desejo por economia também se traduz na ascensão dos chamados “caçadores de desconto”, que já representam 53,9% do público com propensão a viajar. Esse grupo cresceu 22,1 pontos percentuais em apenas um ano, evidenciando que a busca por promoções e parcelamentos não é exclusiva de faixas de renda mais baixas. O levantamento da Serasa Experian mostra que, mesmo entre aqueles com renda mensal superior a R$ 10 mil, que compõem 32,5% da base, o planejamento estratégico e a busca por benefícios são constantes.
A distribuição da capacidade de pagamento reforça essa necessidade de cautela. Com 53,3% dos viajantes possuindo uma capacidade de pagamento de até R$ 2 mil, o mercado de turismo tem sido forçado a adaptar seus produtos. Ofertas que integram facilidades de pagamento e programas de fidelidade tornaram-se ferramentas indispensáveis para converter o interesse em vendas efetivas, atendendo a um público que, embora deseje viajar, não abre mão de segurança financeira.
Mudanças geracionais e o novo mapa do turismo
O perfil demográfico dos viajantes também apresenta alterações notáveis. Enquanto os millennials mantêm a liderança com 39,5% da base, houve um envelhecimento perceptível no público. A geração X ampliou sua participação para 26,4%, e os baby boomers saltaram para 15,5%. Esse deslocamento sugere que o mercado precisa diversificar sua comunicação, já que as motivações e as formas de consumo de cada geração são distintas.
O recuo da geração Z entre os viajantes indica que, em um cenário de custos elevados, o público mais maduro, com maior estabilidade financeira, tem ocupado o espaço principal nas reservas. Para o setor, o desafio é claro: entender que o interesse por viagens é apenas o ponto de partida. Compreender as nuances de cada perfil, desde o jovem que busca economia extrema até o viajante maduro que prioriza experiências personalizadas, é o que definirá o sucesso das empresas nos próximos meses.
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