A trajetória de um atleta de alto nível é feita de picos e vales, e poucos exemplos ilustram isso tão bem quanto a jornada de Matheus Cunha. Há quatro anos, o atacante sentiu o amargo sabor de ser preterido na lista final para a Copa do Mundo do Catar. Agora, em 2026, a história é outra: em sua primeira partida como titular em um Mundial, ele brilhou intensamente, marcando dois gols e sendo peça fundamental na vitória de 3 a 0 do Brasil sobre o Haiti, na Filadélfia. O resultado catapultou a seleção brasileira para a liderança do Grupo C, reacendendo a esperança e a paixão dos torcedores.
A performance de Cunha não foi apenas um feito técnico, mas também uma catarse pessoal. “Não estar na outra Copa, imaginar que poderia ser tão maravilhoso e estar aqui, fazendo o possível para que realmente seja. Não há nada mais gratificante do que estar realizando este sonho”, declarou o jogador do Manchester United em entrevista coletiva após o jogo da última sexta-feira (19). Suas palavras ressoam com a emoção de quem superou um revés e agora colhe os frutos de sua persistência e talento.
A Redenção de um Sonho Mundial
A ausência na Copa anterior foi, sem dúvida, um golpe para Matheus Cunha. No entanto, o tempo e o trabalho duro transformaram a frustração em combustível. Sua estreia como titular no Mundial de 2026, com dois gols decisivos, não apenas garantiu pontos importantes para o Brasil, mas também marcou sua própria redenção. O atacante demonstrou a capacidade de se reerguer e provar seu valor no palco mais grandioso do futebol.
A vitória sobre o Haiti foi um momento crucial para a seleção, que buscava consolidar sua posição no grupo. Os gols de Cunha não só aliviaram a pressão, mas também mostraram a profundidade e a qualidade do elenco brasileiro. A emoção em campo era palpável, refletindo o peso de cada partida em uma competição tão aguardada.
O Papel Tático da Camisa 9 no Esquema de Ancelotti
Apesar de vestir a icônica camisa 9, tradicionalmente associada aos grandes centroavantes da seleção, Matheus Cunha possui um estilo de jogo que foge do convencional. Ele atua de forma menos fixa, movimentando-se pelo ataque e abrindo espaços cruciais para a infiltração de seus companheiros. Essa versatilidade tática é um trunfo para o técnico Carlo Ancelotti, que busca flexibilidade e imprevisibilidade no ataque brasileiro.
A escolha de Cunha como titular contra o Haiti, em substituição a Igor Thiago – um jogador com maior presença de área –, demonstra a visão estratégica de Ancelotti. O treinador busca adaptar a equipe às características do adversário, utilizando jogadores que possam desequilibrar de diferentes maneiras. A capacidade de Cunha de flutuar e criar oportunidades se encaixou perfeitamente na estratégia para o confronto.
A Força da União: Um “Grupo de Amigos” em Campo
Um dos aspectos mais destacados por Matheus Cunha foi o ambiente de união e amizade dentro da seleção. “É um grupo de amigos mesmo. E é duro ser amigo em meio a uma competitividade tão grande. A gente se une, torce genuinamente um pelo outro”, afirmou o atacante. Essa declaração ganha ainda mais peso ao lembrarmos que Igor Thiago, o jogador que ele substituiu, foi o primeiro a abraçá-lo após seu gol na Filadélfia.
Essa camaradagem é um diferencial em um torneio de alta pressão como a Copa do Mundo. A capacidade de torcer pelo colega, mesmo diante da disputa por uma vaga, fortalece o coletivo e permite que o grupo absorva os desafios de forma mais positiva. “Essa união torna mais fácil absorver tudo da forma mais positiva. Sem dúvidas, é legal ser da forma que é. Quebra paradigmas e crescemos juntos”, completou Cunha, ressaltando a importância do espírito de equipe para o sucesso.
Desafios e Expectativas para o Próximo Confronto
Com a vitória sobre o Haiti, o Brasil se encontra na liderança do Grupo C, com os mesmos quatro pontos de Marrocos, mas à frente pelo saldo de gols. O próximo desafio da seleção será contra a Escócia, na próxima quinta-feira (24), às 19h (horário de Brasília), em Miami. Um empate garante a classificação brasileira para a segunda fase da competição.
Apesar do bom resultado, Matheus Cunha mantém os pés no chão. “Temos coisas para melhorar, mas ficamos satisfeitos pelo que fizemos. Temos calma e paciência. Saber sofrer no jogo é muito importante”, analisou. Ele também destacou a dificuldade dos adversários, lembrando que o Haiti quase empatou com a Escócia e que o jogo entre Escócia e Marrocos foi igualmente disputado. A cautela do jogador reflete a consciência de que cada partida na Copa do Mundo é um novo desafio.
O técnico Carlo Ancelotti, por sua vez, não confirmou a titularidade de Cunha para o próximo jogo, indicando que suas escolhas são baseadas nas especificidades de cada confronto. “Acho que, para esse jogo [contra o Haiti], a posição do Matheus era boa para criar problemas na defesa. Pode ser uma opção [para encarar a Escócia]. Não quero uma identidade clara [na forma de atuar]. Pode ser que no próximo jogo possamos mudar”, resumiu o comandante, enfatizando a flexibilidade tática da equipe.
Acompanhe todas as novidades e análises aprofundadas sobre a Seleção Brasileira e a Copa do Mundo aqui no Fato Paulista. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, para que você esteja sempre por dentro dos principais acontecimentos do esporte e de outros temas que impactam o nosso dia a dia. Continue conosco para não perder nenhum lance e aprofundar seu conhecimento sobre o cenário esportivo e muito mais.



