O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (27), que a saída repentina de Flávio Bolsonaro do país rumo aos Estados Unidos representa um ato vergonhoso. A declaração ocorreu durante a celebração do aniversário de 81 anos do chefe do Executivo em frente ao Palácio da Alvorada, onde reuniu apoiadores e discursou sobre o cenário político nacional após o pleito.
Para o presidente reeleito no último domingo (25), a atitude do antigo adversário nas urnas demonstra receio perante as instâncias jurídicas. Segundo a Agência Brasil, o mandatário ressaltou que deixar o território nacional de forma sigilosa reforça a existência de pendências com a Justiça, apontando que medidas preventivas poder ter sido adotadas.
Repercussão política e o debate sobre o passaporte
Durante o encontro com eleitores em Brasília, o presidente criticou a ausência de restrições prévias que impedissem a saída do senador do país. O parlamentar não havia entregado seus documentos de viagem à Polícia Federal, contrariando determinações judiciais emitidas pelo Supremo Tribunal Federal.
O episódio ganhou tração internacional nas últimas horas. Publicações em redes sociais feitas pelo investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, apontaram a chegada do político americano ao território norte-americano. A agência de notícias Reuters também confirmou a movimentação geopolítica envolvendo o senador brasileiro e articulações diplomáticas.
Investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal
As apurações conduzidas pela Suprema Corte contra o filho do ex-presidente seguem inalteradas, mesmo após a mudança geográfica do investigado. Entre os procedimentos em curso estão averiguações sobre supostas práticas de lavagem de dinheiro associadas a plataformas de apostas online, as chamadas bets.
Além disso, o parlamentar é alvo de inquérito que examina o financiamento da produção cinematográfica Dark Horse, obra voltada à trajetória política de sua família. O andamento dessas frentes jurídicas continua sob a jurisdição do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos inquéritos no tribunal superior.
Paralelos históricos com o passado recente
Ao discursar para o público presente na capital federal, o chefe de Estado remeteu ao período em que enfrentou sua própria prisão, ocorrida em abril de 2018. Naquela ocasião, optou por entregar voluntariamente seus documentos de viagem e se apresentar às autoridades policiais para contestar as acusações que lhe foram impostas.
O mandatário lembrou os quinhentos e oitenta dias em que permaneceu detido até sua soltura em novembro de 2019. Anos mais tarde, o Supremo Tribunal Federal anulou os processos conduzidos na primeira instância, reconhecendo parcialidade nas decisões que o atingiram diretamente no âmbito da Operação Lava Jato.
Continue acompanhando o Fato Paulista para se manter atualizado sobre os desdobramentos da política nacional e os principais fatos que movimentam o cenário do país com rigor jornalístico e apuração de qualidade.




