As obras de expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo alcançaram um marco importante neste mês de outubro. Pela primeira vez na história do projeto, duas grandes tuneladoras, conhecidas popularmente como tatuzões, operam de forma simultânea na escavação de túneis subterrâneos. A iniciativa acelera a entrega de infraestrutura de transporte e amplia as frentes de trabalho em diferentes pontos da capital paulista e da região metropolitana.
A entrada em atividade da tuneladora Hebe Camargo na sexta-feira (16) marcou o início da escavação rumo a Guarulhos, partindo da futura estação Penha. Enquanto isso, o equipamento Cora Coralina retomou os trabalhos no sentido oposto, avançando em direção à Vila Prudente. A estratégia operacional permite que engenheiros e técnicos atuem em frentes separadas, otimizando o cronograma de obras da rede metroviária.
Operação simultânea e novas frentes de trabalho
A divisão de tarefas entre os dois equipamentos garante ritmo constante às intervenções urbanas. A máquina Cora Coralina já havia concluído a primeira etapa de sua jornada, ligando o Complexo Rapadura à região de Vila Prudente. Após passar por manutenção e remanejamento, o equipamento retomou o avanço rumo à futura estação Guilherme Giorgi.
Por sua vez, a tuneladora Hebe Camargo assume o desafio de abrir quase 5,8 quilômetros de túneis. O trajeto conecta a Penha ao poço de ventilação e saída de emergência Castelo Branco, localizado no município de Guarulhos. O planejamento técnico exige a remoção de cerca de 620 mil metros cúbicos de terra e a instalação de 3.867 anéis de concreto para a sustentação estrutural.
Tecnologia de ponta no subsolo paulistano
Considerada a maior tuneladora da América Latina, a máquina batizada em homenagem a Hebe Camargo impressiona pelas dimensões. O equipamento possui aproximadamente 133 metros de comprimento, pesa cerca de 2.600 toneladas e conta com uma roda de corte que mede 11,67 metros de diâmetro. A estrutura foi projetada para perfurar solos variados com segurança.
O equipamento Cora Coralina também se destaca pelo porte robusto, com 100 metros de comprimento, 500 toneladas e roda de corte de 11,66 metros de diâmetro. Além da função principal de escavação, ambas as máquinas automatizam a colocação de aduelas de concreto, formando progressivamente as paredes dos túneis que abrigarão os futuros trens da Agência SP.
Impacto na mobilidade urbana e futuras estações
O projeto de ampliação da Linha 2-Verde está estruturado em duas grandes fases. A primeira etapa contempla a implantação de oito novas estações ao longo de aproximadamente 8,3 quilômetros, conectando bairros populosos da Zona Leste e facilitando a integração com outros ramais sobre trilhos já existentes na capital.
Na sequência, a segunda etapa levará o sistema metroviário para dentro de Guarulhos, criando novas alternativas de deslocamento diário para milhares de passageiros. A entrega final promete reduzir o tempo de viagem entre a cidade vizinha e o centro de São Paulo, aliviando o fluxo de veículos nas rodovias e avenidas de ligação.
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