Inflação oficial recua para 0,07% em julho e retorna ao intervalo da meta do governo
O custo de vida dos brasileiros apresentou um alívio importante no mês de julho. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o período em 0,07%. Este é o quarto mês consecutivo de desaceleração na inflação oficial, um movimento que traz o indicador de volta para dentro da meta estabelecida pelo governo federal.
Com o resultado de julho, o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 4,44%. O número é significativo, pois recoloca o índice dentro do intervalo de tolerância da meta oficial, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, permitindo uma variação entre 1,5% e 4,5%. Vale lembrar que, desde o início de 2025, a avaliação da meta considera o período móvel de 12 meses, e não apenas o fechamento do ano civil.
O peso da alimentação no orçamento das famílias
O principal motor para a queda da inflação foi o grupo de alimentação e bebidas, que registrou deflação de 0,67% em julho. Este é o segundo mês seguido em que o setor, que possui o maior peso na cesta de consumo das famílias, apresenta recuo nos preços. A queda foi impulsionada principalmente pela maior oferta de produtos no campo, favorecida por condições climáticas mais estáveis, conforme explicou o analista do IBGE, Fernando Gonçalves.
Entre os itens que mais contribuíram para o alívio no bolso do consumidor, destacam-se os tubérculos, raízes e legumes, com destaque para o tomate (-29,09%), a batata-inglesa (-19,59%) e a cenoura (-14,41%). O café moído também seguiu em trajetória de queda, acumulando uma redução de 17,2% em 12 meses, o maior declínio registrado desde o início do Plano Real, em 1994.
Pressão nos custos de energia e transportes
Apesar do recuo nos alimentos, outros setores pressionaram o índice para cima. O grupo habitação registrou alta de 0,99%, impactado diretamente pela energia elétrica, que subiu 3,09%. O aumento foi reflexo de reajustes tarifários aplicados em capitais como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Contudo, a expectativa é de que o cenário melhore em agosto, devido à aplicação do Bônus Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No setor de transportes, o cenário foi misto. Enquanto as passagens aéreas registraram uma alta expressiva de 11,67%, os combustíveis ofereceram um respiro. A gasolina ficou 1,37% mais barata, acompanhada pelo etanol (-2,26%) e pelo óleo diesel (-1,22%), aliviando os custos logísticos e de deslocamento urbano.
Projeções e o cenário econômico
O resultado de 0,07% ficou rigorosamente em linha com as expectativas do mercado financeiro, conforme apontado pelo boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (10). Para o fechamento de 2026, as instituições financeiras projetam que o IPCA encerre o ano em 5,02%.
O índice de difusão, que mede a abrangência dos aumentos de preços, ficou em 50% em julho, indicando que metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram reajustes. O acompanhamento contínuo desses indicadores é fundamental para entender a dinâmica da economia brasileira e o impacto real no poder de compra da população.
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