Fortaleza recebe ‘Terror Celestial’, mostra que ressignifica o medo na arte LGBT+

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A exposição 'Terror Celestial' em Fortaleza explora como artistas LGBT+ transformam o imaginário do medo em força criativa. Uma mostra imperdível.
Fortaleza recebe 'Terror Celestial', mostra que ressignifica o medo na arte LGBT+
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Fortaleza se prepara para receber uma mostra que promete desafiar percepções e ressignificar narrativas. A partir deste sábado, 18 de julho de 2026, o Museu de Arte Contemporânea (MAC Dragão) abre as portas para a exposição “Terror Celestial”, uma iniciativa que mergulha no universo do medo e do terror, mas sob uma ótica transformadora: a da comunidade LGBT+. Com 24 artistas de diversas linguagens, a exposição propõe uma reelaboração do imaginário do pavor, convertendo-o em uma potente força de criação e expressão.

A mostra, que ficará em cartaz até 4 de outubro de 2026, é mais do que uma simples coleção de obras; é um convite à reflexão sobre como a sociedade historicamente marginalizou e estigmatizou a população LGBT+, frequentemente rotulando-a com termos pejorativos como ‘monstros’ ou ‘aberrações’. O curador, Lucas Dilacerda, destaca que essa violência verbal e simbólica gera traumas profundos, que os artistas agora reelaboram em suas produções, transformando dor em arte e resistindo através da criatividade.

O medo como espelho da sociedade

Lucas Dilacerda, em entrevista à Agência Brasil, aprofunda a discussão sobre a relação intrínseca entre a comunidade LGBT+ e o conceito de terror. Ele aponta que a sociedade, ao longo da história, tem projetado seus próprios medos inconscientes no ‘outro’, utilizando a figura da pessoa LGBT+ como um espelho para se autoafirmar como ‘normal’. Essa dinâmica de ‘monstruosidade’ imposta, que se manifesta em xingamentos e violências, é o ponto de partida para a curadoria da mostra.

O curador traça um paralelo com o gênero do terror no cinema, onde a criação de monstros serve como um mecanismo para aliviar as ansiedades da própria humanidade. Na “Terror Celestial”, esse mesmo imaginário é subvertido. As obras expostas apresentam figuras híbridas, quiméricas e desafiadoras, que rompem com as fronteiras do que é considerado humano. Paisagens surrealistas e outras produções artísticas dialogam com o terror, mas o ressignificam não como uma ferramenta de violência, e sim como uma poderosa força criativa.

Diversidade de olhares e acessibilidade na exposição

Para conceber a “Terror Celestial”, Dilacerda empreendeu um extenso trabalho de pesquisa, mapeando cerca de 300 portfólios de artistas LGBT+. A seleção final priorizou a multiplicidade de vozes, incluindo artistas com interseccionalidades de raça, território e geração, além de uma vasta gama de linguagens artísticas. O objetivo é claro: demonstrar que a comunidade LGBT+ é plural e diversa, desmistificando a ideia de uma única representação e celebrando a riqueza de suas identidades.

A preocupação com a inclusão se estende à experiência do visitante. A exposição conta com recursos de acessibilidade inovadores, como textos em Libras, audiodescrição e pranchas de comunicação alternativa. Esses materiais podem ser acessados digitalmente via QR Code ou com o suporte da equipe educativa, garantindo que diferentes públicos possam fruir plenamente das obras e da mensagem da mostra, promovendo um ambiente cultural verdadeiramente acolhedor e democrático.

As três linhas curatoriais de “Terror Celestial”

A estrutura da exposição é organizada em três eixos curatoriais distintos, cada um explorando facetas específicas da relação entre a identidade LGBT+ e o imaginário do terror, oferecendo uma jornada profunda e multifacetada pela produção artística.

A primeira linha, intitulada Monstros e Quimeras, investiga a monstruosidade como aquilo que transcende a compreensão humana. As obras aqui apresentadas exploram o cruzamento entre reinos – animal, vegetal, mineral, dos encantados e das forças sobre-humanas – revelando seres híbridos, místicos e fabulosos. Entre os artistas que contribuem para este segmento estão Davi Ângelo, Higo José, insiranomeaqui, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho e Trojany.

O segundo eixo, Espiritualidade Terrena, aborda a complexa relação da comunidade LGBT+ com a religião. Enquanto muitas tradições cristãs foram fontes de violência e exclusão, a espiritualidade é aqui resgatada como um espaço de cura e conexão. A curadoria explora saberes de matriz africana, tradições populares e cosmovisões indígenas, apresentando trabalhos de Carnaval no Inferno, Darwin Marinho, Charles Lessa, Isadora Ravena, Georgia Vitrilis, Honório Félix, Nicolas Gondim, Pedra Silva e Sérgio Gurgel.

Por fim, a terceira linha curatorial, Terror das Formas, parte do conceito de ‘terrorismo de gênero’, entendido como um ato de desobediência e criação de novas formas de existência. As obras desafiam a gramática normativa das artes, propondo novas visualidades e expressões que rompem com padrões estabelecidos. Este segmento conta com a participação de Antonio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Céu Vasconcelos, Gi Monteiro, Jonas Pinheiro e plantomorpho.

Dilacerda ressalta a riqueza de linguagens e materiais presentes na exposição, que vão desde pintura, escultura e fotografia até vídeo, performance e instalações, utilizando elementos como barro, cerâmica, giz, grafite, sal, terra, óleo e óxido de ferro. Essa diversidade reflete a amplitude e a profundidade da produção artística LGBT+, que se recusa a ser confinada a categorias pré-estabelecidas e celebra a liberdade criativa.

A “Terror Celestial” não é apenas uma exposição de arte; é um manifesto cultural que convida o público a confrontar preconceitos e a celebrar a resiliência e a criatividade da comunidade LGBT+. Para continuar acompanhando as principais notícias sobre cultura, arte e temas relevantes que impactam a sociedade, acesse o Fato Paulista. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com profundidade e contextualização, para que você esteja sempre bem informado sobre o que realmente importa.

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