Após auditoria favorável, União Europeia volta a importar mel e frango brasileiros

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União Europeia sinaliza retomada de importações de frango e mel do Brasil após auditoria técnica favorável aos controles sanitários nacionais.
Após auditoria favorável, União Europeia volta a importar mel e frango brasileiros
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Após semanas de incertezas no setor do agronegócio, o cenário para as exportações brasileiras começa a apresentar sinais de distensão. Em reunião realizada nesta quarta-feira (30), em Milwaukee, nos Estados Unidos, o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, indicou que a União Europeia (UE) pode autorizar a retomada das compras de carne de aves e mel produzidos no Brasil no curto prazo.

O encontro ocorreu à margem das discussões ministeriais do G20 e contou com a participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A sinalização positiva do representante europeu baseia-se nos resultados de uma auditoria técnica recente, que avaliou os sistemas de controle sanitário brasileiros como satisfatórios.

Auditoria e conformidade sanitária

A suspensão das importações, que entrou em vigor em 3 de setembro, foi motivada por divergências sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Enquanto a legislação europeia permite o uso dessas substâncias apenas para fins terapêuticos, o bloco questionava se o Brasil estaria utilizando os insumos para estimular o crescimento dos animais ou elevar o rendimento produtivo.

Durante a fiscalização, os auditores da Comissão Europeia verificaram que o país possui mecanismos eficazes para impedir o uso indevido desses medicamentos. Com o relatório favorável em mãos, o Ministério da Agricultura solicitou a inclusão do tema na pauta do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, cuja análise definitiva está agendada para os dias 20 e 21 de outubro.

Desafios na cadeia da carne bovina

Embora o otimismo prevaleça para os setores de aves e mel, a situação da carne bovina permanece mais complexa. O governo brasileiro busca um procedimento acelerado para reverter o embargo, mas a natureza das exigências europeias impõe barreiras técnicas mais rigorosas.

A exportação de carne bovina para o bloco exige uma rastreabilidade completa do ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate. Este processo de monitoramento detalhado pode demandar um prazo de até dois anos para ser plenamente validado pelas autoridades europeias, tornando a solução para este segmento um desafio de médio a longo prazo para os exportadores nacionais.

Impacto no comércio exterior

A restrição imposta pela União Europeia em setembro afetou uma gama variada de produtos de origem animal, incluindo pescados e ovos. Além das proteínas, a agenda de negociações em Milwaukee também abrangeu o setor siderúrgico. O governo brasileiro acompanha de perto a revisão das cotas de importação de aço pelo bloco, um processo que, embora promissor, possui desdobramentos previstos apenas para 2027.

A capacidade de resposta do Brasil às exigências sanitárias internacionais é um pilar fundamental para a manutenção da balança comercial. A expectativa agora recai sobre a reunião técnica de outubro, que poderá marcar o fim de um período de restrições que impactou significativamente o escoamento da produção nacional para um dos mercados mais exigentes do mundo.

Para acompanhar os desdobramentos desta negociação e o impacto das decisões internacionais na economia brasileira, continue lendo o Fato Paulista. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com foco na precisão dos fatos e na relevância para o seu dia a dia.

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