A partir da próxima segunda-feira (17), Ulaanbaatar, capital da Mongólia, torna-se o epicentro de uma das discussões mais urgentes para o futuro do planeta. Representantes de 196 países e da União Europeia iniciam a 17ª Conferência das Partes (COP17), evento central da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O encontro, que segue até o dia 28 de agosto, busca traçar estratégias para conter a degradação dos solos e a seca, sob o lema “Restaurando a terra. Restaurando a esperança”.
Um cenário crítico e o papel da Mongólia
A escolha da Mongólia como sede não é aleatória. O país enfrenta uma crise ambiental severa, com cerca de 77% do seu território afetado pela degradação da terra. A nação é frequentemente assolada pelo dzud, um desastre climático caracterizado por secas extremas no verão seguidas por invernos rigorosos. Entre 2023 e 2024, esse fenômeno resultou na perda de mais de 7 milhões de cabeças de gado, desestabilizando a economia rural e forçando o deslocamento de populações para centros urbanos.
O evento também coincide com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (IYRP 2026), destacando a importância dessas comunidades na preservação ambiental e na segurança alimentar global. Para simbolizar a urgência, uma caravana científica percorreu o trajeto entre a Arábia Saudita, sede da COP16, e a Mongólia, em uma jornada que evoca as antigas rotas nômades e reforça a necessidade de cooperação internacional.
Impactos no Brasil e o desafio da Caatinga
O Brasil marca presença na conferência com uma delegação composta por especialistas do setor público e privado. O país ocupará um espaço estratégico no Pavilhão Brasil, dentro da Blue Zone, onde serão apresentadas tecnologias, políticas públicas e projetos voltados ao combate à desertificação. O tema é de extrema relevância nacional: dados indicam que 18% do território brasileiro está sujeito à desertificação, um processo que afeta diretamente 39 milhões de pessoas.
O bioma Caatinga, que abrange todos os estados do Nordeste e parte de Minas Gerais, é o ponto de maior atenção. A desertificação, definida como a perda da capacidade produtiva e biológica do solo em regiões secas, é acelerada por atividades humanas como o desmatamento e o manejo inadequado da agricultura, somados às variações climáticas. Mais informações sobre o monitoramento do problema podem ser conferidas no boletim temático do INSA.
Agenda global e metas para o futuro
O panorama global é preocupante. Segundo a UNCCD, quase 40% das terras do planeta já apresentam algum nível de degradação, impactando a subsistência de 1,5 bilhão de pessoas. Além disso, o fenômeno da aridificação — quando regiões úmidas tornam-se permanentemente secas — avança sobre 77% da superfície terrestre livre de gelo desde 1990. A projeção é de que, até 2100, cinco bilhões de pessoas habitem zonas áridas.
A programação da COP17 está dividida para garantir avanços práticos. Enquanto a primeira semana foca na estruturação de comitês e minutas de decisão, a segunda semana será dedicada a eventos de alto nível. Quatro dias temáticos guiarão os debates: Finanças (24/08), Água (25/08), Terra e Povo (26/08) e Sistemas Alimentares e Saúde do Solo (27/08).
A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, reforçou que o objetivo central é a antecipação. “O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência suficiente para evitar que seus impactos se propaguem em cascata por comunidades”, afirmou.
O Fato Paulista segue acompanhando de perto os desdobramentos da COP17 e o impacto dessas decisões para o Brasil e o mundo. Continue conosco para se manter informado sobre as principais pautas ambientais, políticas e sociais que moldam o nosso futuro.




