
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou, nesta quarta-feira (1º), o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU). O levantamento, realizado em parceria com o Ministério das Cidades entre 2024 e 2026, estabelece um roteiro estratégico para a modernização do transporte coletivo nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país. A proposta central é viabilizar 187 projetos estruturantes, capazes de expandir a rede de transporte em mais de 3 mil quilômetros.
Um plano de longo prazo para a mobilidade
O estudo projeta um horizonte de 30 anos, baseando-se em tendências demográficas e na demanda futura por deslocamentos urbanos. O volume de recursos necessários para tirar as obras do papel é estimado entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões. Segundo o governo, a iniciativa busca romper um ciclo de subinvestimento crônico no setor, onde a receita disponível historicamente não acompanha as necessidades reais das metrópoles.
Atualmente, o Brasil investe cerca de 0,1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em mobilidade urbana. A meta estabelecida pelo BNDES é elevar esse patamar para 0,25% do PIB, o que representaria um aporte anual de aproximadamente R$ 20 bilhões. A execução dos projetos, considerada exequível em um prazo de 15 anos, promete reduzir em 15% o tempo médio de deslocamento da população e diminuir em 11% o custo operacional por viagem.
Impacto social e sustentabilidade
Além da infraestrutura física, o projeto possui uma forte vertente social e ambiental. O ministro das Cidades, Vladimir Lima, comparou a relevância do estudo ao programa Minha Casa Minha Vida, destacando que o objetivo é devolver tempo de qualidade aos cidadãos. A melhoria no transporte público é vista como um motor para a geração de renda e para a redução das desigualdades no acesso às oportunidades urbanas.
No campo da sustentabilidade, o plano prevê a redução de 3 milhões de toneladas de emissões de CO₂ por ano. O financiamento poderá ser viabilizado através do Fundo Clima, reforçando o compromisso com a transição energética. A implementação dos projetos deve demandar uma frota expressiva de veículos sustentáveis, incluindo 6,6 mil ônibus elétricos, além de 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT.
Geração de empregos e viabilidade econômica
A execução deste plano de mobilidade tem potencial para criar mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos anualmente. O modelo de financiamento desenhado prevê que 80% dos investimentos sejam públicos, enquanto os 20% restantes devem ser captados por meio de parcerias com a iniciativa privada. A estrutura dos projetos foca na integração tarifária e na unificação da bilhetagem como pilares para a eficiência do sistema.
O primeiro exemplo prático dessa estratégia já está em curso em Belo Horizonte (MG), onde a rede de transporte passará de 84,2 km para 314,1 km, com um investimento de R$ 35,6 bilhões. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana servirá como guia para que prefeitos e governadores possam estruturar suas demandas junto ao governo federal, garantindo que o desenvolvimento das cidades ocorra de forma planejada e integrada.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta política pública e os impactos que as mudanças trarão para o cotidiano dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre os principais temas que moldam o desenvolvimento do nosso país.




