Berto Filho, ex-âncora da Globo, enfrentou câncer e deixou legado na TV

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Relembre a trajetória de Berto Filho, marcante âncora da Globo nos anos 80, que enfrentou câncer e deixou um legado inesquecível no jornalismo.
Berto Filho, ex-âncora da Globo, enfrentou câncer e deixou legado na TV
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A história do telejornalismo brasileiro guarda memórias de vozes que marcaram gerações, e poucas foram tão emblemáticas na década de 80 quanto a do jornalista Berto Filho. Reconhecido por sua postura firme e tom marcante, o apresentador construiu uma carreira de enorme prestígio na Globo, estando à frente de atrações centrais da emissora.

Ao longo de sua trajetória profissional, ele comandou o Jornal Hoje, integrou a bancada do Jornal Nacional e esteve à frente do Fantástico. Esse percurso consolidou um legado de seriedade e profissionalismo que continua a ser lembrado pelo público e por profissionais da área de comunicação.

A batalha contra a doença e o período no Retiro dos Artistas

A fase final da vida do comunicador foi marcada por uma intensa e dolorosa batalha contra a saúde. Conforme registros da época, Berto Filho enfrentou durante dois anos um câncer que atingiu a região da garganta e se espalhou para o cérebro.

Para lidar com o momento delicado e com dificuldades pessoais, ele passou seus últimos meses residindo no Retiro dos Artistas, tradicional instituição localizada em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. No local, o jornalista buscou acolhimento e tranquilidade enquanto lidava com o avanço da enfermidade.

Perdas familiares e agravamento do quadro clínico

O drama pessoal do apresentador ganhou contornos ainda mais difíceis devido a coincidente e dolorosa perda familiar. Após sessões intensas de tratamento no Instituto Nacional de Câncer (Inca), ele chegou a receber uma alta temporária dos médicos.

No entanto, no mesmo dia em que comemorava a liberação médica, sua esposa, com quem foi casado por mais de cinco décadas, precisou ser internada na UTI devido a graves complicações de saúde, vindo a falecer logo em seguida. O forte abalo emocional acelerou o retorno da doença no organismo do jornalista, que precisou reiniciar o rigoroso tratamento oncológico.

Despedida e o compromisso com o legado póstumo

O falecimento do ex-âncora ocorreu no leito do hospital do Inca, situado em Vila Isabel, onde ele partiu dormindo na véspera do dia em que completaria 76 anos de idade, data para a qual familiares e amigos planejavam uma comemoração íntima.

Após a perda, seu filho, Henry Lelot, revelou que, durante o período em que esteve acolhido no Retiro dos Artistas, o pai se dedicou a redigir um livro de memórias. O projeto literário tornou-se um compromisso familiar de finalização como forma de homenagem póstuma à sua trajetória de dedicação à imprensa brasileira.

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