Arqueólogos localizam naufrágios da era de ouro da pirataria em Nassau

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Arqueólogos descobrem naufrágios da era de ouro da pirataria em Nassau, nas Bahamas. Achados incluem navios incendiados e artefatos históricos.
Arqueólogos localizam naufrágios da era de ouro da pirataria em Nassau
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Descoberta inédita no porto de Nassau

Uma expedição internacional de arqueologia marinha revelou descobertas que prometem reescrever a história da pirataria no Caribe. Durante pesquisas realizadas no final de 2025, especialistas localizaram seis naufrágios nas proximidades do porto de Nassau, na ilha de New Providence, nas Bahamas. Entre os destroços, três embarcações apresentam evidências que as conectam diretamente ao período entre o final do século XVII e o início do XVIII, época marcada pela hegemonia dos piratas na região.

A operação ocorreu em uma área de acesso restrito, o que permitiu que os pesquisadores encontrassem vestígios preservados por séculos sob camadas de sedimentos e pedras de lastro. Esta é a primeira vez que naufrágios com características tão específicas do ambiente pirata são documentados com precisão científica no local, transformando relatos históricos em evidências materiais concretas.

Vestígios de navios incendiados e táticas piratas

O achado que mais despertou a atenção da equipe foi um casco de madeira carbonizado, coberto por pedras de lastro. O estado da estrutura corrobora descrições históricas sobre as táticas de pirataria: após saquearem as cargas e removerem canhões e equipamentos de valor, os piratas costumavam incendiar os navios capturados. A medida servia tanto para eliminar provas dos ataques quanto para dificultar a identificação das embarcações pelas autoridades coloniais.

Michael Pateman, diretor do Bahamas Maritime Museum e codiretor da expedição, confirmou que os sinais de queima são compatíveis com ações deliberadas de destruição. O arqueólogo Sean Kingsley, que participou do mergulho, descreveu a experiência como um encontro raro com o passado, embora a equipe mantenha a cautela científica, ressaltando que análises laboratoriais detalhadas ainda são necessárias para identificar a origem exata do navio.

Artefatos revelam o cotidiano da pirataria

Além da estrutura dos cascos, os sítios arqueológicos abrigam uma série de objetos que detalham a rotina, o armamento e a logística das tripulações que dominavam o mar. Entre os itens catalogados pelos mergulhadores, destacam-se canhões de ferro, munições de mosquete, cachimbos com símbolos da monarquia inglesa, garrafas de vinho e pedras de amolar para manutenção de lâminas.

Estes artefatos oferecem uma visão mais realista e menos romantizada da vida no mar durante a chamada Era de Ouro da Pirataria. Longe da ficção cinematográfica, os objetos encontrados demonstram as dificuldades de manutenção, a necessidade constante de defesa e a integração dessas tripulações com o comércio colonial da época.

Investigação sobre o lendário navio Fancy

Um dos pontos centrais da investigação é a possibilidade de o casco queimado pertencer ao Fancy, navio comandado pelo notório pirata Henry Avery. Em 1695, após capturar uma fortuna incalculável em ataques a embarcações do Império Mughal, Avery refugiou-se nas Bahamas e desapareceu dos registros oficiais, tornando-se uma figura lendária da história marítima.

Embora a localização e o período histórico sejam compatíveis com a trajetória de Avery, a confirmação exige estudos minuciosos sobre o método de construção da embarcação e a análise química dos materiais encontrados. Por enquanto, a conexão com o Fancy permanece como uma hipótese fascinante que motiva os próximos passos da pesquisa.

Futuro das explorações em New Providence

Nassau foi o epicentro da “Gangue Voadora”, uma associação de piratas que incluía nomes como Barba Negra, Benjamin Hornigold e Charles Vane. O domínio pirata na região só foi efetivamente combatido em 1718, quando o governador Woodes Rogers iniciou uma campanha para retomar o controle britânico das ilhas.

A equipe de arqueólogos planeja retornar ao local com tecnologias avançadas, incluindo drones subaquáticos e sistemas de mapeamento geofísico, para identificar estruturas enterradas sob a areia. A preservação desses sítios é considerada urgente diante da ameaça de deterioração natural e do impacto de obras portuárias. O Fato Paulista continuará acompanhando os desdobramentos desta descoberta, trazendo atualizações sobre as análises dos artefatos e os novos capítulos revelados pela arqueologia subaquática.

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