Tecnologia laser revela caminhos incas ocultos sob a vegetação de Machu Picchu

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arqueologia - Tecnologia LiDAR revela 2,5 km de caminhos incas e estruturas ocultas em Machu Picchu, ampliando o conhecimento sobre a histórica cidadela
Tecnologia laser revela caminhos incas ocultos sob a vegetação de Machu Picchu
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Mais de um século após ganhar reconhecimento mundial como um dos maiores símbolos da civilização inca, a cidadela de Machu Picchu continua a surpreender historiadores e arqueólogos. Um recente levantamento realizado com a tecnologia LiDAR — que utiliza pulsos de laser para mapear o terreno — identificou mais de 2,5 quilômetros de caminhos pré-hispânicos, além de plataformas e terraços agrícolas que permaneciam invisíveis sob a densa vegetação peruana.

A descoberta, realizada em julho de 2026, ocorreu nos arredores da muralha de Mandor, a leste da área principal do santuário. O achado reforça a tese de que o complexo arqueológico é significativamente maior e mais complexo do que a estrutura que atrai milhões de turistas anualmente, evidenciando uma rede de conexões que ainda precisa ser totalmente mapeada.

A precisão do LiDAR na arqueologia moderna

O uso do LiDAR (Light Detection and Ranging) tem revolucionado a arqueologia em regiões de floresta tropical e montanhosa. A tecnologia funciona disparando milhões de pulsos de laser que atravessam a copa das árvores e atingem o solo, permitindo que pesquisadores filtrem digitalmente a vegetação e criem modelos tridimensionais detalhados do relevo.

Foi através deste processamento que a equipe técnica identificou uma estrada principal com 1,2 quilômetro de extensão. O traçado, caracterizado por um desenho em ziguezague, apresenta técnicas construtivas típicas do período inca, embora a confirmação da cronologia exata e a função original dessas rotas dependam de escavações e análises em solo, que devem ser iniciadas nos próximos meses.

Conexões perdidas na paisagem andina

A descoberta não se limita a trilhas isoladas; ela altera a compreensão sobre como o território era ocupado e gerido pelos incas. A UNESCO, que reconheceu o local como Patrimônio Mundial em 1983, sempre defendeu que a cidadela não era um ponto isolado, mas o centro de uma vasta paisagem composta por canais de irrigação, centros secundários e rotas de escoamento agrícola.

A região de Mandor, agora sob foco, surge como um ponto estratégico para entender a logística da civilização. Ao identificar onde esses caminhos começavam e terminavam, os especialistas esperam traçar um mapa mais preciso da circulação de pessoas e mercadorias, conectando áreas de produção agrícola a setores habitacionais que, até então, eram considerados inexplorados.

Cooperação internacional e próximos passos

O projeto é fruto de uma colaboração entre o Centro de Estudos Andinos da Universidade de Varsóvia e a Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco. Sob a supervisão de especialistas como Jan Kłaput e Bartłomiej Ćmielewski, o trabalho de campo contou com a coordenação local de Nino del Solar Velarde, integrando tecnologia de ponta com o conhecimento arqueológico tradicional.

Maritza Rosa Candia, diretora executiva da DDC Cusco, destacou que o uso dessas ferramentas digitais é um divisor de águas para a conservação do patrimônio. O objetivo agora é transpor os dados dos mapas para a realidade física, avaliando o estado de conservação das estruturas e definindo medidas de proteção necessárias para evitar a degradação desses novos achados.

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