“Esperávamos muitas dificuldades para esta queima, mas graças ao eficiente trabalho de ceramistas voluntários e da equipe da Kodomo no Sono, o resultado superou as nossas expectativas”, afirmou o ceramista Makoto Fukuzawa, que coordenou os trabalhos com Miha Nakatani

Nakatani e Makoto Fukuzaw
Em seu discurso, o presidente Sérgio Oda lembrou que, ainda na década de 1970, a direção da Kodomo no Sono já sonhava em inserir a cerâmica como atividade terapêutica e produtiva, inspirando-se em um projeto de uma instituição similar no Japão.

Em 1977, o plano começou a se materializar com a vinda do técnico japonês Kazuo Morita. No ano seguinte, o forno noborigama foi construído no terreno da sede. “Uma queima experimental não muito bem-sucedida fez a instituição optar pelo uso de um forno a gás, e o forno a lenha deixou de ser utilizado”, lembrou Oda.

Histórico da reconstrução
Há cerca de quatro anos, a convite do ex-presidente Luiz Okamoto, o mestre ceramista Akinori Nakatani — que ao lado de Kenjiro Ikoma e outros artistas ajudou na implantação da atividade na Kodomo no Sono — visitou a instituição e sugeriu a recuperação do noborigama.

Apesar do ceticismo inicial, a diretoria decidiu levar o plano adiante. Infelizmente, pouco tempo depois, o falecimento do mestre Nakatani interrompeu o projeto. Recentemente, a entidade foi informada pelo ceramista voluntário Kenta Demizu, que Miha Nakatani (filha do mestre Nakatani) e seus familiares estavam dispostos a retomar a reconstrução proposta por seu pai.

Em visita ao forno, Miha apontou os reparos necessários e sugeriu melhorias de desempenho, corrigindo falhas da construção original. Após meses de trabalho intenso com a participação de Kenta Demizu, Bruno Carvalho da equipe de cerâmica da Kodomo e do ceramista Makoto Fukuzawa, o noborigama ficou pronto e foi testado após 48 anos.

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Cronologia da queima
No dia 19/03, um grupo de 20 ceramistas iniciou o trabalho ininterrupto de preenchimento das três câmaras e fechamento do forno. A queima começou no dia 20/03, às 9 horas. Com o revezamento contínuo na alimentação da lenha, o forno atingiu o cone 9 (temperatura de 1280°C) após 27 horas de queima.

O forno foi então selado para um processo de resfriamento natural de 10 dias. Após a abertura das câmaras, as peças foram encaminhadas de mão em mão para a tenda de exposições, ao lado. Na sequência, teve início a cerimônia oficial com a presença de personalidades e especialistas.

Yumiko Horiwaki, representante sênior da Agência de Cooperação Internacional do Governo Japonês (JICA), destacou o trabalho da Kodomo no Sono e a atuação de Kenta Demizu, intercambista da JICA que atua na oficina da instituição desde 2024.

Celso Mizumoto, diretor do Bunkyo e Toshio Umeda, da Fundação Kunito Miyasaka elogiaram o trabalho da Kodomo e o empenho de todos, na retomada das atividades do icônico forno. A qualidade das peças suscitou comentários positivos, como os do mestre Kenjiro Ikoma. Impressionado, ele classificou o desempenho do forno como um dos melhores que já viu.

Ao encerrar, o presidente Sérgio Oda ressaltou que, embora o investimento tenha sido alto, é uma alegria colocar esse forno icônico à disposição da sociedade. O projeto deve gerar recursos para a missão social da instituição: manter o atendimento digno a pessoas com deficiência intelectual.






