E com esta objetividade tecnológica, porém com refino intelectual, surgiram obras como premiadíssimo Deus e o Diabo na Terra do Sol.
Provavelmente nem em suas mais otimistas projeções, Glauber Rocha teria imaginado que seu legado pautasse tantos jovens cineastas, meio século depois que tudo começou.
E foi assim, com uma ‘ideia na cabeça e uma câmera na mão’, que o jovem diretor Rafael Souza Gonçalves, conhecido como Rafael Bone e a jornalista Claudia Canto, idealizaram o roteiro e produziram o primeiro capítulo da web série, Riqueza Ignorada, baseada na história de vida da jornalista, escritora e publisher, Cláudia Canto, que desde a infância mora em Cidade Tiradentes, um dos mais populosos bairros da Zona Leste. Ela é uma entusiasta das iniciativas culturais e artísticas da região.
É comum ela afirmar: “temos uma riqueza ignorada”, frase que aliás virou o título da série. A avante priemiere não poderia ter acontecido em lugar mais peculiar, em plena praça pública, onde está localizada a ‘barraca do Seu Francisco”, que fica em frente ao Espaço Cultural Pombas Urbanas. Um seleto grupo de professores, intelectuais, sambistas, universitários e moradores prestigiou o evento.
O comerciário Rafael Souza Gonçalves é um jovem ativista cultural transformando as paixões pelo rap e pelas imagens em obras que dignificam o meio em que vive.
“Essa série é inspirada na vida da Claudia Canto, fizemos somente com uma câmera. Não tivemos nenhum recurso financeiro. Eu sou editor de vídeo clipe e essa série foi meu primeiro trabalho. Eu sou da Cidade Tiradentes e faço parte da Família Barro Branco, que é um grupo de Rap aqui da comunidade”, é o que conta o jovem Rafael
Ele destaca ainda que somente produzia videoclipes até o dia que conheceu a protagonista e em conjunto tiveram a ideia de criar uma série envolvendo toda a comunidade de Cidade Tiradentes.
“Os personagens são pessoas da comunidade. Teremos 5 episódios da série. As filmagens são desafiadoras, para juntar todas as pessoas envolvidas, muitos são da favela Maravilha”, completou.
Em entrevista ao Fato Paulista, Cláudia Canto contou que a série é baseada na sua história, mas com o foco principal de apresentar os artistas de Cidade Tiradentes. “A ideia é mostrar as riquezas ignoradas da região. Artistas, empresários, empreendedores. É baseado na história da minha vida. Cidade Tiradentes é meu palácio, foi o primeiro lugar que eu tive um banheiro dentro de casa e isso para mim é sublime”, conta envolta a muita emoção e completa: “Muitas pessoas acham que aqui é periferia, que só tem violência, mas a verdade é que aqui tem muitas riquezas”. A jornalista admite que durante muito tempo acreditou que a riqueza estava nos países europeus. “Em um certo dia comecei a enxergar essa riqueza que existe aqui, que foi que me levou para a universidade de Oxford”, comemora.
Ela conta que em conjunto com o diretor Rafael Bone teve a ideia de produzir 5 episódios a princípio, mas segundo informou este número deve aumentar. “ A cultura está tão viva, tão efervescente, com tantos artistas que eu acho que terá mais de 5 episódios”, disse e informou ainda que “A ideia é concluir em Portugal”.
Vale informar que a produção está sendo realizada sem qualquer apoio governamental e que os atores são todos moradores da região.
“Eu quero com essa série apresentar a Cidade Tiradentes por outro prisma, tirar o estigma de um bairro violento. Mostrar a inteligência orgânica que tem aqui”, comemora.
“A professora Margareth Anne Clarke que me levou para a Universidade de Oxford, vai legendar a série para o inglês e vai apresentar na comunidade acadêmica. A ideia é expandir e apresentar na Europa, inserir nas universidades”, finaliza.




