Educação: EJA abre caminho para paulistanos retomarem os estudos e realizarem sonhos

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Com diferentes horários e matrículas abertas durante todo o ano, iniciativa atende pessoas que precisaram interromper os estudos e querem voltar a aprender
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Nunca é tarde para aprender. A Prefeitura de São Paulo mantém as matrículas abertas durante o ano inteiro para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O programa é destinado a pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram o Ensino Fundamental. Além de ser totalmente gratuito, a grande vantagem é a flexibilidade de modalidades e horários, o que permite aos jovens, adultos e idosos retomarem os estudos de acordo com sua rotina.

Atualmente, mais de 24 mil estudantes estão matriculados na EJA da Rede Municipal de Ensino, que dispõe de vagas para todos com turmas formadas conforme a demanda. Em 2025, 7.803 pessoas concluíram a modalidade. As aulas são presenciais e o atendimento é realizado em 112 unidades que oferecem EJA, 16 Centros Integrados de Educação de Jovens e Adultos (CIEJAs) e 416 unidades do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA-SP), sendo 249 de entidades parceiras.

Aos 69 anos, Maria Aparecida Ferreira, que nunca havia frequentado uma sala de aula, é uma das alunas que encontraram na rede municipal de ensino uma oportunidade de aprender. Ela começou a estudar em 2025 e já está familiarizada com as letras. Agora, segue em busca de um objetivo que carrega há décadas: “Eu quero aprender a ler a Bíblia”, conta Maria, que frequenta as aulas pela manhã. “Aqui é o melhor lugar para estudar. Os professores são nota dez”.

Nascida em uma região pobre de Minas Gerais, Maria não teve a oportunidade de frequentar a escola na infância. A falta de escolarização também limitou suas possibilidades profissionais. Mesmo sabendo cozinhar e preparar salgados, ela conta que sempre trabalhou como ajudante porque não sabia ler.

Diferentes modalidades e horários
Para atender às necessidades dos estudantes, a Prefeitura oferece diferentes formatos de EJA, como a modalidade Regular, a Modular, os CIEJAs e o MOVA-SP. Nos CIEJAs, há atendimento pela manhã, à tarde e à noite, facilitando a conciliação dos estudos com o trabalho e os compromissos familiares.

Segundo Marcelo Alexandre Merce, diretor da Divisão de Educação de Jovens e Adultos (DIEJA), o público é diverso e inclui trabalhadores, mães, responsáveis pelo cuidado da família, jovens e idosos. Para muitos, voltar à escola significa conquistar autonomia em tarefas cotidianas, como ler informações, utilizar o transporte público e preencher documentos.
“Para quem precisou abandonar os estudos para trabalhar, a dificuldade muitas vezes não está na falta de vontade de aprender, mas na necessidade de conciliar a escola com as demais responsabilidades da vida”, explica Marcelo.

No CIEJA Rolando Boldrin, na Zona Leste, o coordenador pedagógico Francisco Alvanter Beltrão acompanha de perto esse público diverso. “Quando você quer dar um atendimento de fato para o público jovem e adulto que não concluiu os estudos, é necessário haver essa flexibilização de horário”, afirma.

A matrícula permanece aberta durante todo o ano, permitindo que os estudantes retornem mesmo quando precisam interromper temporariamente a frequência. A flexibilidade também é importante para quem precisa escolher o período de aula mais adequado à rotina.
“Por vezes, eles param de estudar, mas não temos chamado isso de evasão e sim de itinerância: eles vêm, fazem uma parte, param um pouco, depois voltam”, explica. “Manter as matrículas abertas o tempo inteiro garante que essa pessoa consiga adequar o ensino à sua vida”.

Francisco também destaca que o atendimento considera as experiências e necessidades dos alunos. As atividades são construídas pelos professores para trabalhar os conteúdos de forma adequada ao público jovem e adulto, em um ambiente de acolhimento e incentivo à aprendizagem.

O acolhimento também é parte importante desse processo. Muitos estudantes chegam inseguros por terem ficado anos longe da escola ou com medo de não conseguirem acompanhar as aulas.
“O aluno chega aqui muito para baixo e, a partir do momento em que começa a frequentar as aulas e vê que é possível se desenvolver, principalmente na leitura e na escrita, a autoestima muda muito”, explica Boldrin.

A experiência também ultrapassa os limites da sala de aula. Os estudantes participam de atividades culturais, visitas a exposições e teatros e ações em equipamentos públicos da cidade. Para aqueles que concluem os estudos, a unidade também realiza um projeto anual que inclui uma visita a Paranapiacaba.

Novas conquistas dentro e fora da escola
Aos 67 anos, Josefa da Silva retomou os estudos depois de ter deixado a escola ainda adolescente para trabalhar. Nascida em Pernambuco, ela voltou a estudar em São Paulo para ampliar seus conhecimentos e compreender melhor o mundo ao redor. “Eu queria me atualizar, entender mais as coisas que acontecem lá fora”, explica.

Além de continuar aprendendo, Josefa percebe mudanças práticas no cotidiano. Hoje, por exemplo, consegue ler uma receita para preparar algo em casa. Ela frequenta as aulas à noite, horário que consegue conciliar com os demais compromissos.

Mesmo depois de concluir a EJA, Josefa continuou ligada à unidade e participa de outras atividades, mantendo a escola como parte de sua rotina. “Aqui é um lugar maravilhoso, com profissionais qualificados e que acolhem. Eu me sinto bem aqui”, conta.

Edvan Barbosa, de 68 anos, levou a retomada dos estudos ainda mais longe. Baiana, ela cresceu em uma família humilde e não teve acesso à escola regular. Aprendeu a ler e escrever ainda na infância, na comunidade rural onde vivia, com uma professora que era casada com seu tio. Depois, o trabalho na roça e as dificuldades financeiras interromperam esse aprendizado.

Depois de concluir o Ensino Fundamental pela EJA, Edvan continuou a formação, concluiu o Ensino Médio e chegou à faculdade. A experiência também a motivou a incentivar outras pessoas a estudar e a participar de iniciativas de alfabetização de adultos. “A gente passa a enxergar outra realidade. A gente vê o país e o mundo de outra maneira”, afirma Edvan.

Em uma visita com a escola a uma fazenda histórica em Bananal, uma representação relacionada à escravidão também despertou o senso crítico da aluna. “Eu logo falei: ‘Está errado isso aqui’. Foi uma coisa que me fez pensar, questionar”. Para Edvan, esse é um dos grandes legados da educação: aprender a olhar a realidade de forma crítica.

Para o diretor da DIEJA, histórias como as de Maria, Josefa e Edvan mostram que a EJA pode ampliar a autonomia, abrir novas oportunidades e ajudar a realizar objetivos adiados ao longo da vida.

Serviço
Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Público: pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram o Ensino Fundamental.
Modalidades: EJA Regular, EJA Modular, Centros Integrados de Educação de Jovens e Adultos (CIEJAs) e Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA-SP).
Horários: variam conforme a modalidade e a unidade.
Clique aqui para obter mais informações sobre matrícula e documentação necessária.

 

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