Doar leite materno não prejudica a saúde dos ossos da mãe, aponta estudo

PUBLICIDADE
Estudo da Unesp revela que doar leite materno não provoca riscos adicionais ou perdas extras na saúde dos ossos das mulheres.
Doar leite materno não prejudica a saúde dos ossos da mãe, aponta estudo
PUBLICIDADE

A gravidez e a lactação exigem adaptações profundas no organismo feminino, especialmente no controle e na distribuição de minerais essenciais. Durante a gestação, o corpo se mobiliza para formar o esqueleto do feto. Logo depois, na fase de amamentação, a produção do leite demanda uma quantidade expressiva de cálcio. Quando o mineral não está disponível em níveis ideais na dieta, o próprio esqueleto da nutriz passa a ser a fonte primária, gerando uma perda transitória de massa óssea.

Diante desse cenário que desperta dúvidas e preocupações sobre a fragilidade esquelética a longo prazo, pesquisadoras da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, decidiram investigar se o volume de leite produzido interfere diretamente nessa perda mineral. A principal hipótese inicial era de que mulheres que excediam a produção para alimentar também outros bebês sofreriam desgastes maiores.

Metodologia e acompanhamento de nutrizes

O trabalho científico acompanhou setenta e sete mulheres entre os meses de julho de 2020 e março de 2023. O grupo foi dividido entre trinta e oito mães que alimentavam apenas os próprios filhos e trinta e nove que realizavam a doação do excedente para bancos de leite humano. Para garantir a precisão dos dados e evitar interferências externas, foram selecionadas voluntárias jovens, primigestas e sem histórico de doenças metabólicas ósseas.

Todas as participantes passaram por avaliações periódicas que incluíram exames de densitometria para verificar a densidade mineral na coluna lombar, no fêmur e no corpo inteiro. Além disso, análises sanguíneas detalharam taxas de hormônios, vitaminas, cálcio, fósforo e marcadores específicos de reabsorção óssea, permitindo mapear com rigor a resposta fisiológica de cada voluntária ao longo de um ano.

O impacto real da doação no esqueleto

Contra as expectativas iniciais das pesquisadoras, os exames revelaram que a perda de massa óssea é exatamente igual entre quem amamenta apenas o próprio filho e quem também faz doações. O volume extra produzido não representa um agravante para a estrutura esquelética da nutriz. O processo de desgaste ocorre naturalmente pela demanda da lactação, mas ele se comporta da mesma maneira em ambos os cenários.

A partir do sexto mês, com a introdução da alimentação complementar para os bebês e a normalização hormonal, os exames mostraram sinais claros de regeneração. Houve aumento nos índices de densidade mineral na coluna e no fêmur das doadoras, acompanhado pela queda de biomarcadores ligados à degradação de colágeno. Os dados indicam que o organismo inicia um processo consistente de recuperação da massa perdida.

Atenção redobrada à ingestão de cálcio

Embora a perda óssea seja transitória e reversível, os percentuais observados durante a amamentação exclusiva costumam superar os índices registrados por mulheres na fase da menopausa. Por esse motivo, as autoras do estudo destacam que a atenção à saúde esquelética deveria começar antes mesmo da concepção, avaliando os hábitos alimentares e os estoques de minerais no corpo.

Durante o acompanhamento, as pesquisadoras notaram uma ingestão insuficiente de cálcio por meio da dieta e a ausência de suplementação adequada durante a gestação pelo sistema público de saúde. A carência de diretrizes robustas sobre a suplementação mineral nessa fase da vida reforça a necessidade de ampliar as investigações científicas para embasar futuras políticas públicas voltadas à saúde da mulher.

Novas perspectivas e a importância da rede de apoio

Os desdobramentos da pesquisa já geram novas frentes de análise na instituição, incluindo o mapeamento da perda de massa óssea ao longo da própria gestação e o estudo dos impactos causados por gestações múltiplas ou por quadros de obesidade. O objetivo é compreender com profundidade os fatores que influenciam o metabolismo esquelético feminino em diferentes contextos clínicos.

Apesar de todas as variações biológicas mapeadas, a recomendação de órgãos internacionais sobre o aleitamento materno permanece inalterada. Para que o processo ocorra de forma segura e saudável, ginecologistas, pediatras e familiares devem atuar de maneira integrada, oferecendo suporte físico e emocional para que a nutriz atravesse essa fase com tranquilidade e amparo adequado.

Continue acompanhando o Fato Paulista para ler mais reportagens aprofundadas, análises contextualizadas e notícias verificadas sobre saúde, ciência, comportamento e sociedade. Nosso compromisso diário é entregar informação confiável e relevante para você.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário