A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta terça-feira (27) a terceira fase da Operação Ouro Reverso, uma ofensiva de grande envergadura voltada ao combate a uma organização criminosa especializada em roubos, receptação e comercialização ilegal de joias e ouro. A nova etapa concentra foco total no núcleo financeiro da facção e resultou em ordens judiciais para o bloqueio de mais de R$ 374 milhões em bens e ativos dos investigados, marcando um dos maiores golpes recentes contra o patrimônio do crime organizado no estado.
Coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a operação mobiliza dezenas de agentes e representa um avanço estratégico na desarticulação de esquemas complejos de ocultação de valores. A investigação evidencia como o dinheiro ilícito obtido por meio de crimes patrimoniais é injetado na economia formal por meio de complexas redes de lavagem de dinheiro.
A estratégia do núcleo financeiro
Nesta terceira fase, batizada de “A Máquina”, os investigadores aprofundaram a análise sobre os operadores financeiros do grupo. O esquema criminoso utilizava empresas de fachada, laranjas e sucessivas transferências bancárias para blindar o patrimônio acumulado e dificultar o rastreamento por parte dos órgãos de controle. Documentos contábeis e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) revelaram que apenas uma das empresas investigadas movimentou cifras superiores a R$ 356 milhões.
A ofensiva conta com a participação de 87 profissionais, entre policiais civis e representantes de órgãos públicos, cumprindo dezenas de mandados de busca e apreensão. Além dos bloqueios de contas, a Justiça determinou a interdição de um estabelecimento comercial de joias e o sequestro de um imóvel ligado à rede de lavagem de dinheiro.
Origens das investigações e fases anteriores
As apurações que culminaram nesta operação tiveram início em 2024, após policiais identificarem a entrega de uma joia de origem ilícita a um conhecido jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo. A partir desse fio da meada, o Deic mapeou uma vasta estrutura criminosa dedicada à receptação e ao branqueamento de capitais obtidos em assaltos.
- Primeira fase focou em roubos violentos e receptação inicial
- Segunda fase inspecionou oficinas e fundições no centro da capital
- Terceira fase atinge o topo da pirâmide financeira com bloqueios milionários
A primeira etapa, chamada “O Sangue”, ocorreu em maio de 2025 contra suspeitos de roubos violentos. Já a segunda fase, “A Fachada”, mirou estabelecimentos e laboratórios clandestinos na região central da capital, conhecida como “Círculo do Fogo”, onde o ouro roubado era derretido e transformado em novos produtos, gerando apreensões expressivas e bloqueios anteriores que somavam R$ 35 milhões.
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