WMO aponta patamares históricos de gases estufa na atmosfera em 2025

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Relatório da WMO aponta que concentrações de gases do efeito estufa atingiram níveis sem precedentes na atmosfera durante o ano de 2025.
WMO aponta patamares históricos de gases estufa na atmosfera em 2025
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Um relatório publicado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) revelou que o ano de 2025 registrou índices sem precedentes de concentração de gases do efeito estufa na atmosfera global. O estudo aprofundado aponta que o acúmulo desses elementos continua avançando, impulsionado principalmente pela queima contínua de combustíveis fósseis e por atividades industriais e agropecuárias.

Entre os principais poluentes monitorados, o dióxido de carbono (CO₂) atingiu a marca de 426,8 partes por milhão (ppm) ao longo de 2025. Esse montante representa um patamar 53% superior aos registros observados antes do período industrial, fixado antes de 1750. Especialistas apontam que a dinâmica climática recente ainda carrega os reflexos de eventos naturais passados, como a temporada de El Niño registrada entre os anos anteriores, que limitou a absorção natural dos gases pela biosfera terrestre e marinha.

O avanço expressivo do metano e do óxido nitroso

Além do dióxido de carbono, o levantamento detalha o comportamento de outros compostos de forte impacto radiativo na atmosfera terrestre. O metano (CH₄), que ocupa a segunda posição em termos de capacidade de aquecimento, alcançou uma concentração de 1.948 partes por bilhão (ppb). O índice representa um acréscimo de 6 ppb na comparação com o ciclo anterior, mantendo uma tendência de desaceleração gradual no ritmo de alta que é observada desde 2007. Cerca de dois terços das emissões globais de metano provêm de fontes ligadas à ação humana, como a pecuária e a decomposição de resíduos orgânicos.

Por sua vez, o óxido nitroso (N₂O), frequentemente associado a processos agrícolas e ao uso intensivo de fertilizantes, registrou a marca de 339,1 ppb. Embora sua presença na atmosfera seja numericamente menor, o potencial de aquecimento de cada molécula de óxido nitroso é cerca de 270 vezes superior ao de uma molécula de dióxido de carbono. A maior parte das emissões desse gás tem origem em atividades ligadas ao manejo do solo e à agricultura comercial em diferentes regiões do planeta.

Desafios trazidos pelos gases halogenados e novos compostos

O monitoramento ambiental também trouxe análises sobre o comportamento dos clorofluorcarbonos (CFCs) e de substâncias correlatas. O documento aponta que os CFCs tradicionais continuam em trajetória de queda na atmosfera, reflexo de acordos internacionais voltados à preservação da camada de ozônio. Em contrapartida, o relatório acende um sinal de alerta para o crescimento de substitutos industriais, a exemplo dos hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e dos hidrofluorcarbonos (HFCs), que também exercem forte influência sobre o aquecimento global.

Outro ponto que tem exigido atenção da comunidade científica é a elevação na concentração de hexafluoreto de enxofre (SF₆), substância amplamente utilizada pela indústria química e elétrica como isolante em equipamentos de distribuição de energia. Conforme o levantamento da Agência Brasil, a concentração atual desse gás excede em três vezes os patamares medidos em meados da década de 1990, com uma permanência na atmosfera que supera o período de mil anos.

Riscos indiretos ligados às novas fontes energéticas

O estudo da Organização Meteorológica Mundial dedicou espaço para avaliar o papel de matrizes energéticas emergentes, como o gás hidrogênio (H₂). Apresentada como uma alternativa limpa e promissora para o futuro da transição energética, a substância gera preocupações associadas a possíveis vazamentos estruturais em dutos, tanques de estocagem e células de combustível.

Embora o hidrogênio não possua propriedades diretas de aquecimento, sua dispersão na atmosfera desencadeia reações químicas com moléculas de hidroxilas, que cumprem o papel natural de limpar o ar ao reagir com gases poluentes como o metano. A escassez dessas moléculas de limpeza acaba prolongando a permanência do metano no ambiente, gerando um impacto indireto na intensificação do efeito estufa global.

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