Polifarmácia exige revisão médica constante para evitar riscos à saúde dos idosos

PUBLICIDADE
O uso de cinco ou mais medicamentos simultâneos, a polifarmácia, exige revisão médica constante para evitar riscos e garantir a saúde dos idosos.
Polifarmácia exige revisão médica constante para evitar riscos à saúde dos idosos
PUBLICIDADE

O envelhecimento populacional traz consigo novos desafios para a medicina moderna, especialmente no que diz respeito ao manejo de doenças crônicas. Entre as preocupações centrais dos especialistas está a polifarmácia, termo técnico utilizado para descrever o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos por um mesmo paciente. Embora muitas vezes seja uma estratégia necessária para o controle de condições de saúde, o consumo excessivo de fármacos sem o devido acompanhamento clínico pode comprometer a qualidade de vida e gerar riscos graves.

O impacto da polifarmácia na saúde dos idosos

Dados apontam que a prevalência desse cenário é significativa entre a terceira idade. Segundo o médico e pesquisador Egídio Dorea, coordenador do programa USP 60+, entre 39% e 45% dos idosos em todo o mundo se encaixam no perfil de polifarmácia. No Brasil, o cenário é variável, com índices que oscilam entre 18% e 57%, atingindo com maior frequência mulheres, pacientes com múltiplas comorbidades e indivíduos com mais de 75 anos.

O uso prolongado de diversos fármacos aumenta a probabilidade de interações medicamentosas perigosas. Quando substâncias diferentes reagem entre si no organismo, o paciente pode sofrer com efeitos colaterais inesperados, como quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações recorrentes. O grande desafio, segundo especialistas, é o fenômeno da iatrogenia, que consiste em danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico.

Riscos da cascata medicamentosa

Um dos maiores perigos apontados por Dorea é a chamada cascata medicamentosa. Esse processo ocorre quando um novo remédio é prescrito apenas para tratar um efeito colateral causado por outro medicamento que o paciente já consome. Sem uma revisão criteriosa, o indivíduo entra em um ciclo de consumo crescente, muitas vezes mantendo substâncias que já não oferecem benefícios terapêuticos claros.

O uso inadequado de classes específicas, como benzodiazepínicos, anti-inflamatórios e inibidores de prótons, é frequentemente observado em prontuários. Muitas vezes, esses medicamentos são mantidos por anos sem uma reavaliação da real necessidade clínica, o que sobrecarrega o sistema metabólico do idoso e aumenta a fragilidade do organismo.

A importância da desprescrição segura

Para romper esse ciclo, a medicina contemporânea defende a desprescrição. O conceito não significa interromper tratamentos de forma abrupta ou por conta própria, mas sim realizar uma revisão periódica e colaborativa entre médico e paciente. O objetivo central é reduzir doses ou suspender fármacos que não trazem mais benefícios, priorizando sempre a segurança e a eficácia terapêutica.

A comunicação clara no consultório é a ferramenta mais eficaz de prevenção. Perguntar ao médico se determinado remédio ainda é indispensável ou se existem alternativas não medicamentosas para o tratamento é um passo fundamental. Envelhecer com saúde, portanto, exige uma postura ativa e vigilante, garantindo que a tecnologia farmacêutica seja uma aliada, e não um fator de risco adicional.

Acompanhe o Fato Paulista para mais reportagens sobre saúde, bem-estar e ciência. Nosso compromisso é levar até você informações fundamentadas e relevantes para o seu dia a dia.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário