Rita von Hunty critica ‘capitalismo de plataforma’ em festival drag e debate futuro da democracia

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Rita von Hunty, persona de Guilherme Terreri, aborda o 'capitalismo de plataforma' e a precarização do trabalho no Fest Drag 2026 em Brasília.
© Álefe Ribeiro/Divulgação
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A drag queen Rita von Hunty, persona do professor e pesquisador Guilherme Terreri, trouxe à tona um debate crucial sobre o que ela denomina “capitalismo de plataforma” durante a abertura do Fest Drag 2026. O evento, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, marcou o início de uma programação cultural diversificada, coincidindo com o Dia do Orgulho LGBT, celebrado em 28 de junho.

Diante de uma plateia composta majoritariamente por estudantes do ensino médio, Rita von Hunty aprofundou sua análise sobre as relações de trabalho mediadas por plataformas digitais, alertando para a precarização e a ausência de direitos que caracterizam esse modelo. A discussão ressoa em um cenário nacional e global onde a economia gig se expande, redefinindo o conceito de emprego e as garantias trabalhistas.

Rita von Hunty e a Crítica ao Capitalismo de Plataforma

Em sua palestra, Rita von Hunty detalhou as implicações do “capitalismo de plataforma”, um sistema onde as rotinas de trabalho carecem de direitos básicos como horários de descanso e férias. Ela traçou um paralelo histórico, afirmando que esse modelo remonta aos primórdios da acumulação de capital, despojando os trabalhadores de uma jornada e um local de trabalho fixos.

A crítica se estendeu à condição dos trabalhadores de aplicativos, que, segundo ela, vivem uma realidade análoga ao feudalismo. “Eles estão pagando para usar as ferramentas que vão usar para trabalhar, inclusive a internet. Eles estão pagando para trabalhar”, lamentou a palestrante. Essa dinâmica, de acordo com Rita von Hunty, está gestando uma nova classe de trabalhadores desprovida de perspectivas e garantias, um tema de crescente preocupação para economistas e ativistas sociais no Brasil e no mundo.

Redes Sociais: Espaços de Ódio e Afetos Irracionais

Além da esfera do trabalho, Rita von Hunty direcionou seu olhar crítico às redes sociais, caracterizando-as como ambientes que reduzem a capacidade de discussão e reflexão a espaços polarizados. “Ou você curte ou você bloqueia. São os sentimentos antidemocráticos”, pontuou, destacando a diminuição da escuta atenta e da leitura aprofundada, elementos essenciais para um debate democrático saudável.

Para a drag queen, a lógica de lucro das plataformas digitais é a força motriz por trás dessa polarização. “Todas as redes sociais já sabem que a forma mais cabal de dar lucro é produzindo afetos irracionais. Quem viraliza com mais facilidade na rede? Afetos irracionais”, explicou. Essa busca por engajamento a qualquer custo, muitas vezes, fomenta o ódio e a criação de “inimigos imaginários”, desviando o foco de discussões políticas substanciais e promovendo um isolamento social disfarçado de conexão.

A solução, segundo Rita von Hunty, reside em resgatar e sustentar espaços que incentivem o debate, o aprofundamento, o dissenso e a conversa, garantindo os direitos das minorias. Ela enfatizou a necessidade de “recusar a resposta fácil, insistir no pensamento crítico. Recusar a sensibilidade imediata e investir nas formas mais perenes de afeto”.

Engajamento Jovem e Desafios da Democracia Brasileira

Em entrevista à Agência Brasil, Rita von Hunty reforçou a importância do engajamento dos jovens na defesa da democracia, apesar dos desafios contemporâneos. Ela expressou preocupação com o aumento da violência masculina nas gerações mais novas, inclusive contra a mulher, mas também apontou para a esperança em movimentos de conscientização sobre os impactos da inteligência artificial e das mudanças climáticas.

Outro ponto de alerta levantado pela palestrante foi o avanço descontrolado das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets. “Não há nenhum motivo para que as bets operem nesse país da forma que operam”, criticou, argumentando que essas plataformas contribuem para a dilapidação do patrimônio e do poder de compra das classes mais baixas, um fenômeno que exige regulamentação urgente e um olhar atento das autoridades.

Ao abordar a democracia no Brasil, Rita von Hunty se mostrou cética, classificando a ideia de um “Estado Democrático de Direito em um país que tem genocídio de população preta” como “otimismo”. Sua fala ressalta a necessidade de combater todas as formas de opressão, como o machismo, a misoginia, o capacitismo e a LGBTfobia, utilizando sua arte drag como ferramenta de ativismo e legado de combate a discursos de destruição.

Programação do Fest Drag 2026

O Fest Drag 2026 continua sua programação gratuita no CCBB Brasília ao longo do final de semana. O evento, realizado pelo Distrito Drag, oferece uma plataforma para artistas de renome e talentos emergentes da cena drag nacional. Estão previstas apresentações de grandes nomes da música brasileira como Sandra Sá, Majur e Lorena Simpson, além de performances de artistas como Dacota Monteiro e Las Bibas.

Com classificação indicativa livre, o festival promete ser um espaço de celebração da arte, da cultura e da diversidade, reforçando a importância da representatividade e do debate em um momento tão crucial para a sociedade. Para mais detalhes sobre a programação completa, o público pode consultar o site oficial do evento.

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