Treino aeróbio pode combater perda muscular em pacientes com câncer, aponta estudo da USP

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Estudo da USP revela que treino aeróbio ajuda a combater a perda muscular em pacientes com câncer ao modular enzima protetora no organismo.
isso, o suporte nutricional isolado é insuficiente para reverter o quadro. Nesse
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O desafio da caquexia no tratamento oncológico

A caquexia associada ao câncer representa um dos maiores desafios clínicos no manejo de pacientes oncológicos. Trata-se de uma síndrome metabólica complexa, caracterizada pela perda progressiva e involuntária de massa muscular, acompanhada de inflamação sistêmica severa. Diferente da desnutrição convencional, onde a simples oferta calórica resolve o déficit, a caquexia impõe um estado de resistência anabólica. Nesse cenário, o organismo perde a capacidade de sintetizar proteínas de forma eficiente, tornando o suporte nutricional isolado insuficiente para reverter o quadro clínico.

O papel do exercício como intervenção terapêutica

Diante dessa barreira biológica, a ciência tem buscado estratégias que consigam “destravar” o metabolismo muscular. Uma pesquisa recente, conduzida na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, aponta que o treinamento físico aeróbio atua como uma ferramenta indispensável. O exercício fornece o estímulo mecânico e bioquímico necessário para quebrar a resistência anabólica, permitindo que o corpo volte a processar nutrientes e construir tecido muscular, mesmo sob o estresse da doença.

A descoberta da enzima Heme oxigenase-1

O estudo, realizado por Ailma Oliveira da Paixão sob orientação da professora Patrícia Chakur Brum, investigou como o treinamento modula a enzima Heme oxigenase-1 (HO-1). Conhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, a HO-1 mostrou-se protagonista na proteção do organismo. Em modelos experimentais, os animais submetidos a protocolos de exercício apresentaram uma redução significativa na atrofia das fibras musculares e, notavelmente, um crescimento tumoral mais lento.

A importância da enzima foi confirmada através de uma análise comparativa: quando a HO-1 foi geneticamente inativada no músculo esquelético, os benefícios do treinamento foram anulados. Essa descoberta sugere uma comunicação direta entre o músculo e o tumor, onde sinais mediados pela enzima no tecido treinado ajudam a limitar a progressão da patologia. O trabalho, que incluiu uma etapa de pesquisa no Beth Israel Deaconess Medical Center, da Harvard Medical School, reforça a tese de que o músculo não é apenas um tecido de suporte, mas um órgão endócrino ativo na resposta ao câncer.

Limitações e perspectivas futuras

Embora os resultados sejam promissores, é fundamental ressaltar que o estudo foi realizado em modelo animal, o que impõe cautela antes da extrapolação direta para humanos. No entanto, os dados fornecem uma base sólida para novas abordagens terapêuticas. A ideia é que, no futuro, protocolos de exercícios possam ser prescritos como terapias complementares, integrando o treinamento físico ao tratamento oncológico tradicional para preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.

A tese completa, intitulada Influência do treinamento físico aeróbio sobre a Heme oxigenase-1 no controle da massa muscular esquelética e crescimento tumoral em modelo experimental de caquexia do câncer, está disponível para consulta na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP. O Fato Paulista segue acompanhando os avanços da ciência brasileira e o impacto de novas descobertas na saúde pública. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade sobre os temas que transformam a sociedade.

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