Batfino e sua turma

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Era comum nos feriados e nos finais de semana, a invasão do Colégio Estadual Professora Emília de Paiva Meira, onde estudávamos em Itaquera, pelos meninos, principalmente a turma da rua XV de Novembro, para jogar futebol de salão na única quadra existente no bairro.
Batfino e sua turma
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Na mesma ocasião mudou-se para Itaquera uma família de Uruguaios com vários filhos, e um deles, o primogênito, garoto de físico avantajado, que pelos traços lembrava um guerreiro Guarani, conhecido por todos apenas por seu apelido “BATFINO” menção ao super-herói de desenho animado. O Morcego do sonar radar e asas de aço Bat Fino e seu inseparável amigo e motorista do Bat-lac Caratê, que faziam uma alusão ao Besouro Verde e Cato.

Aos poucos Batfino montou sua turma de garotos mais velhos que também invadiam a escola e expulsavam a turma dos menores que era liderada pelo Zé Faustino e faziam-se de donos da quadra.

Sofrendo este tipo de bullying, e não sendo garotos de levarem desaforo para casa, Zé e seus amigos da XV decidiram ir ao banheiro, onde os garotos deixavam as roupas durante a partida de futsal, para aprontar com as roupas do Batfino. Juntaram as roupas do Uruguaio e esconderam em um dos mais de 100 latões de lixo espalhados pelas classes da escola.

Preocupados com a reação do Batfino e de forma prudente, colocaram um bilhete no local onde estava a roupa, informando que elas foram escondidas em alguns latões de lixo espalhados pela escola. Até este momento o plano corria dentro do controle, quando surge a figura do Tuim (Luiz Carlos Michelman).

Se existir um capeta numa escola este era o Tuim, garoto mais velho, ruivo com sardas em todo corpo.

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O Zé caiu na besteira de contar para o Tuim o que tinham aprontado. Michelman ficou entusiasmado com a travessura e de imediato aderiu ao plano que julgou ser muito suave e sugeriu pegar um dos latões de lixo e alçar no mastro da Bandeira. Reuniu então toda roupa em um único latão e por conta própria, sem nem mesmo consultar a turma, ao amarrar o latão na corda da bandeira tocou fogo no mesmo e alçou, tendo tempo de dar um nó cego no cordão antes de sair em disparada para longe da escola, no que foi seguido pelos demais garotos que se recolheram na proteção de suas residências.

Ao perceberem a fumaça na escola o pessoal da ronda foi verificar o que estava ocorrendo e pegaram o Batfino desesperado com as mãos na botija, quero dizer, na corda da bandeira tentando desatar o nó e recuperar as cinzas de sua roupa.

Conclusão toda família do Batfino foi parar na 32ª DP de Itaquera acusados de Ativistas Tupamaros e ofensa à Bandeira Nacional.

O caso fora devidamente esclarecido, pois o Professor Américo, professor de português do científico, que morava num sobrado de frente ao Colégio, de sua janela teve a oportunidade de acompanhar toda a movimentação da escola naquela tarde do feriado após o desfile de 7 de setembro.

O professor Américo levou os garotos da XV para explicarem o ocorrido ao Delegado e todos acabaram levando uma enorme carraspana. Não sabemos o que ocorreu posteriormente com nosso Guerrilheiro Tupamaro. Sua família mudou-se de Itaquera e não tivemos mais notícias deles.

O colégio passou a ser vigiado pela polícia os finais de semana e os garotos perderam sua quadra exclusiva. Para concluir. Descobriu-se depois que BATFINO não era uruguaio era chileno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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