Construção de um futuro com justiça climática e livre de combustíveis fósseis é tema de discussão na Câmara

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Deputado federal Ivan Valente fala das alternativas para que não haja exploração de petróleo na região Amazônica e ressalta a importância da COP 30 que será realizada em novembro, na cidade de Belém
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O papel das mulheres na construção de um futuro com justiça climática e livre de combustíveis fósseis foi tema de uma audiência pública, nesta semana, na Câmara dos Deputados. Presidida pela deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG), a audiência contou com a participação de vários parlamentares de países da América Latina, como Cecilia Requena, que é senadora de Bolívia, Ruth Luque, que é congressista do Peru, Rosa Cecilia Baltazar, que é da Assembleia do Equador, entre outros.

Comissão da Câmara dos Deputados debate exploração de petróleo na região amazônica (Crédito: Petrobras/Divulgação)

Em seu requerimento de solicitação da audiência, a autora lembra que a Amazônia é o “coração vivo do planeta”, e que discutir assuntos relacionados a ela, é central no enfrentamento da crise climática global e na transição para um modelo econômico livre de combustíveis fósseis. Segundo ela, esse debate é urgente se queremos falar em preservação das florestas, da biodiversidade e da vida das populações.

“Nesse sentido, a realização desta audiência pública no âmbito da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher busca promover o debate sobre o relatório internacional “Protegendo o coração do nosso planeta: o roteiro dos e das parlamentares para uma Amazônia livre de combustíveis fósseis”, elaborado por 12 parlamentares de sete países, colocando em evidência o papel estratégico das mulheres para a justiça climática”, diz Célia Xakriabá em seu requerimento de realização da audiência.

Produção de petróleo

Entre os parlamentares presentes, estava o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), que falou com o Fato Paulista e explicou que a produção de petróleo – que deverá ser reduzida até 2050, segundo o Acordo de Paris – não deve ocorrer na região da Amazônia. Segundo o deputado, a audiência serve também para debater esse tema, uma vez que o assunto tem ganhado cada vez mais interesse dentro do setor produtivo que vê a exploração de petróleo na Amazônia como mais uma fonte de riqueza.

“Não se trata agora de recuperar, de mitigar, é preciso usar recursos para que a floresta permaneça de pé e que ela segure o CO2. Ou seja, que a florestas sejam consumidores de gases de efeito estufa e não o contrário. Quando eles [oposição] pedem o desmatamento, a mineração e tudo aquilo que degrada o meio ambiente”, explica.

Para o deputado, a Conferência das Partes da Convenção (COP) 30 dará o Brasil a oportunidade de assumir uma posição de vanguarda. Segundo ele, o país deve ser campeão de meio ambiente e não de exploração de petróleo.

“A floresta tem mil maneiras [de gerar riquezas]. A biodiversidade, a produção e o saberes indígenas, e a ideia de que preservar rios e florestas vale muito mais do que plantar soja. Nós sabemos disso”, lembra Valente. “Aí vai ter que ter um financiamento, tanto que a proposta que todo fundo do FMI seja exatamente para recuperar a floresta, que não são invasivos, não são destruidores da Amazônia”, completa.

Meio ambiente

Ivan Valente diz que todo esse empenho para que, regiões como a Amazônia sejam alvos de empresas e especuladores que querem produzir petróleo e minerar, são motivados, entre outros, pelos bancos. De acordo com ele, há “inimigos” que impedem que a meta de chegar em 2050 sem emissão de gás de feito estufa pelos combustíveis fósseis seja concretizada.

“Nós estamos defendendo os povos da Amazônia, os povos indígenas, e o planeta, porque a Amazônia não é só brasileira, ela tem um papel extraordinário na vida do planeta. Então, é preciso tomar medidas nessa direção. Temos alguns inimigos muito fortes, como o presidente dos Estados Unidos [Donald Trump], e a nova política americana que é negacionista, que é a favor, inclusive, de aumentar a produção de petróleo, mas no mundo todo, mais de 170 países entende que é preciso cumprir as metas”, afirma Valente.

O deputado diz ainda que é preciso entender que os países do sul global precisam receber investimentos para poderem não só sobreviver, dando qualidade de vida para o seu povo, mas também dizer que esse é o papel de todo aqueles que “querem que os desastres naturais não se sobreponham à vida”.

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