O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) nasceu em 1962 como fruto de uma divisão no antigo PCB. Seus dirigentes, liderados por João Amazonas e Maurício Grabois, recusaram o caminho reformista e adotaram uma linha mais dura, inspirada na China maoísta. Essa escolha marcou sua trajetória inicial pela radicalização. No regime militar, o PCdoB protagonizou a Guerrilha do Araguaia, uma aventura armada fracassada, que resultou em dezenas de mortos e expôs o distanciamento entre o partido e a realidade do povo brasileiro.
Com a redemocratização, em 1985, o PCdoB abandonou a clandestinidade, mas manteve o discurso socialista. Sem jamais conquistar relevância eleitoral própria, sobreviveu graças a alianças com partidos maiores, especialmente o PT, ao qual se tornou praticamente satélite. No período dos governos petistas, ocupou ministérios como Esporte e Ciência e Tecnologia, mas raramente se destacou pela eficiência administrativa.
Nomes como Aldo Rebelo e Manuela D’Ávila deram alguma visibilidade ao partido, mas não mudaram sua dificuldade crônica de dialogar com a maioria da sociedade. Em termos eleitorais, o PCdoB jamais se consolidou fora de nichos específicos, como o movimento estudantil ou o funcionalismo público sindicalizado.
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Hoje, mantém seu discurso marxista-leninista em pleno século XXI, apesar de a experiência histórica do comunismo ter fracassado mundo afora. Sua atuação política é marcada mais pelo pragmatismo de se manter próximo ao poder do que pela viabilidade real de seu projeto ideológico. Em resumo, o PCdoB é um exemplo de como parte da extrema esquerda brasileira sobrevive não pela força das urnas, mas pela capacidade de se acoplar a governos maiores e preservar sua estrutura partidária.
Documentário indicado:
Doutor Araguaia – 2024
Edson Cabral.
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