Em relação à televisão, se minha memória não me trair, meu primeiro contato foi com a TV do SR Luiz Português, dono da venda de secos e molhados da Vila Corberi.
Seu Luiz um português enorme de bochechas vermelhas, marido da Dona Nilda e pai de meu amigo Ernestinho, comprou em 1957 uma TV da marca Colorado RQ, que era único modelo nacional e mais barato que as importadas da época a Telefunken e a General Electric que custavam algo perto do preço de um automóvel popular.
A venda sempre fora o ponto de encontro do pessoal da vila, onde os homens se reuniam aos finais de semana para um jogo de truco e para colocarem a conversa em dia.
Com a chegada da TV, estes encontros passaram a ser diários, e seguiam uma rotina, os homens iam para a venda do Seu Luiz e levavam os filhos para também assistirem aos programas da época.
De início só haviam 3 canais que eram a TV Tupi, TV Excelsior e TV Itacolomi, depois vieram a TV Paulista e a TV Record.
Dona Nilda ajeitava o espaço na venda entre os sacos de cereais e caixotes de bacalhau, e lá colocava caixas de madeira que embalavam os produtos para servirem de banquinhos onde primeiramente os garotos se amontoavam dividindo espaço para assistirem as séries de aventuras que era o que mais gostávamos.
Nossos heróis eram o Capitão Estrela um super-herói brasileiro criado para divulgar os brinquedos da fábrica Estrela. O Capitão 7 outro super-herói nacional, 7 pois o canal da TV Record que o exibia era o de número 7 no seletor. O seriado principal, o qual aguardávamos com muita ansiedade era “As Aventuras de Rim-Tim-Tim”, o cachorro soldado herói da cavalaria americana no combate aos índios.
Durante este período, em que as crianças assistiam seus heróis, os pais ficavam proseando sobre politica e futebol, e tomando cerveja, o que certamente dava lucro para o Vendeiro. Assim que terminavam as séries as crianças iam todas para a rua de terra na frente da vendinha para brincar de mãe da rua, pau ou chumbo, bate lata entre outras e os adultos então se acomodavam nos caixotes para assistirem ao “Seu Repórter Esso”, na época única fonte de informação jornalística que dispunham, além daquelas lidas nas folhas de jornais que vinham embrulhando a carne comprada no Seu Joaquim do Açougue.
Terminado o jornal era hora de ir para casa e terminar um lindo e maravilhoso dia para nós crianças.
Eu sou o exemplo puro de uma geração que foi pouco informada, primeiramente pela dificuldade inicial em obter informações tendo em vista a precariedade e o custo elevado dos veículos da época e em um segundo momento pela censura imposta pela ditadura militar.
Hoje a informação é instantânea e universal e eu fico boquiaberto ao ver minha neta, que ainda não completou dois anos, manuseando o celular na busca das informações de seu interesse.
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