Oposição e governista se unem e aprovam na Câmara projeto que cria regras para proteção de crianças e adolescentes na internet

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Novo código eleitoral é aprovado na CCJ do Senado, com volta do voto impresso, garantia de 30% para candidaturas femininas, e proposta agora vai a plenário
proteção de crianças e adolescentes na internet
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A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (20) o projeto de lei 2628/22, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que cria regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. De acordo com a proposta aprovada- que voltará ao Senado porque sofreu alterações na Câmara –, o público infantojuvenil terá que se submeter a regras para fazer uso de aplicativos, jogos eletrônicos, redes sociais e programas de computador. O mesmo ocorre com os fornecedores e controle de acesso por parte de pais e responsáveis.

“Essa solução se inspira no modelo adotado pela Constituição Federal, que, ao tratar da proteção contra conteúdos prejudiciais na comunicação social, optou por assegurar à família os meios para se defender, e não por substituir sua autonomia”, disse o relator da matéria na Câmara, o deputado federal Jadyel Alencar (Republicanos-PI). “O projeto inova ao estabelecer parâmetros objetivos, requisitos formais e hipóteses específicas de violação, conferindo maior segurança jurídica e eficácia prática à regra”, completou.

Intitulado de “ECA Digital”, em alusão ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o projeto aprovado estabelece obrigatoriedades para os provedores de serviços digitais, como a classificação indicativa, com transparência na classificação etária dos conteúdos; mecanismos técnicos de mediação parental; e canais acessíveis para recebimento de denúncias.

Além disso, o texto define acesso provável quando houver “suficiente probabilidade” de uso e atratividade do produto ou serviço; “considerável facilidade” ao acesso e utilização dele; e “significativo grau” de risco à privacidade, à segurança ou ao desenvolvimento biopsicossocial de crianças e adolescentes.

União

No plenário, o embate entre oposição e governista foi ameno, e não teve grandes conflitos. Tanto a oposição quanto a base do governo apoiaram o texto e votaram pela sua aprovação.

“Mostramos que, quando queremos, nossas divergências ficam de lado e prevalece o bem comum”, disse o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ).

Os poucos embates que houve foi com relação à possibilidade de censura das redes sociais e demais aplicativos. Para os governistas, isso não ocorrerá, e alegar isso como justificativa é deixar a internet ser uma terra sem dono, onde tudo é permitido, inclusive, ações criminosas.

Sâmia Bomfim diz que projeto aprovado mostra que plataformas e as big techs também precisam ter responsabilidades (Crédito: Brasil de Fato)

“As plataformas e as big techs também têm responsabilidades para garantir que as redes sejam um ambiente seguro para nossas crianças”, disse a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP). “Todos aqueles que se preocupam com crianças e adolescentes, são pais e mães, têm a obrigação de votar favoravelmente. É uma resposta fundamental do Parlamento, do governo e da sociedade para esse problema que é a exposição de nossas crianças nas redes”, completou.

Kim Kataguiri disse que “total controle e a total vigilância” que o governo queria no texto foi derrubado (Crédito: CNN)

Até mesmo o deputado Kim Kataguiri (União-SP), grande opositor ao governo, disse que o projeto aprovado está em consonância com os apelos da sociedade que quer ver a internet sob o domínio de regras de conduta. “O total controle e a total vigilância que o governo queria no texto original, colocando o projeto de lei da censura disfarçado em um projeto de lei de proteção de crianças, foi desmontado pelo relator”, afirmou Kataguiri.

Código eleitoral

CCJ do Senado aprova novo código eleitoral com volta do voto impresso e 30% de candidatura feminina (Crédito: Agência Senado)

O novo código eleitoral que vinha sendo construído no Senado, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, nesta quarta-feira (20). Relatado pelo senador Marcelo de Castro (MDB-PI), o novo código eleitoral – projeto de lei complementar (PLP) 112/2021 – traz, entre outras, duas novidades: a volta do voto impresso e obrigatoriedade de haver 30% de candidatura feminina nos pleitos.

A volta do voto impresso acatou a emenda do senador Esperidião Amin (PP-SC) que define a obrigatoriedade de a urna imprimir o registro de cada voto.

Já a obrigatoriedade de 30% de candidatas nas chapas, foi aprovado, com isso, o relator retirou a punição para partidos que não conseguirem cumprir o percentual de candidaturas. A suspensão da punição era um contraponto à proposta de reserva de 20% das cadeiras nas casas legislativas para as mulheres.

O texto agora vai ao plenário do Senado. Se aprovado, seguirá para a Câmara dos Deputados.

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