UESP vive uma nova era, anuncia o presidente Nenê Teixeira

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São Paulo tem um grande carnaval, que historicamente incentiva a cultura, o turismo, o emprego e fomentação de renda.
Nenê Teixeira
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Ao contrário do que muitos pensam, o carnaval alavanca a economia durante o ano todo: em eventos nas quadras, na produção de fantasias e carros alegóricos, nas lojas da “25 de Março” que vendem os produtos para as agremiações, nas adegas que fornecem bebidas para os bares das quadras, sem contar inúmeros empregos diretos e indiretos que são gerados graças ao carnaval paulistano.

Na coordenação, assessoria e suporte às dezenas de agremiações de samba da cidade, está a UESP (União das Escolas de Samba Paulistanas) a “Matriz do Samba”, “onde tudo começa”.

Para saber as perspectivas das agremiações, as dificuldades, as vitórias do samba paulistano, o Fato Paulista entrevistou o presidente da entidade, o gestor empresarial formado pela Fatec SP, Alexandre Magno Alves Pereira, conhecido no samba como Nenê Teixeira.

Reeleito para o terceiro mandado a frente da UESP, Nenê falou sobre as perspectivas da entidade para os próximos anos e comemorou as parcerias com a TV Cultura (que transmitiu o carnaval dos bairros neste ano) e com o vereador Ricardo Teixeira, presidente da Câmara Municipal paulistana e apontado por Nenê como um dos grandes e históricos benfeitores do samba.

Vale destacar que São Paulo tem duas entidades que regem o carnaval: a Liga das Escolas de Samba, com as agremiações que desfilam no sambódromo do Anhembi e a UESP que organiza os desfiles que acontecem nos bairros com os grupos Especial de Bairros, Acesso 1, Acesso 2, Acesso 3 e Blocos. Os desfiles acontecem na Vila Esperança e Butantã.

Para se ter uma ideia da grandiosidade da UESP, várias são a escolas tradicionais que estão nos grupos da entidade, entre elas: a Lavapés Pirata Negro, presidida pelo ator global Ailton Graça e a Leandro de Itaquera, histórica agremiação do samba paulistano, que fez desfiles memoráveis na elite do carnaval.

Nenê Teixeira
Com ampla formação acadêmica, Nenê atualmente é pós graduando em Gestão de Projetos e atua como empresário, sendo sócio-diretor da Pró Art Gestão Artística

Com ampla formação acadêmica, Nenê atualmente é pós graduando em Gestão de Projetos e atua como empresário, sendo sócio-diretor da Pró Art Gestão Artística. Vale destacar que a sua história na UESP vem desde 1993 quando atuou pela primeira vez -ainda como estagiário – no desfile da Vila Sabrina. Como dirigente começou atuar a convite do então presidente Kaxitu, como diretor de Carnaval. Está como presidente há 8 anos e foi reeleito para mais um quadriênio coordenando os rumos do carnaval de 73 agremiações filiadas a UESP, sendo 55 escolas e 18 blocos

 

                                            As maiores dificuldades

Quando perguntado sobre as dificuldades enfrentadas pelas agremiações, ele aponta justamente a falta de investimentos no carnaval.

“Muitos pensam que a Prefeitura dá dinheiro para o carnaval, mas é um investimento. As agremiações ainda não têm em sua totalidade a condição de ser um nicho de mercado independente. Por isso ainda precisamos do financiamento da Prefeitura”, destacou.

“É uma luta, mas sabemos que o retorno é garantido aos cofres públicos”, completou.

Ele faz questão de ratificar que tem consciência, que muitas vezes as verbas que as escolas recebem não são suficientes para que seja feito um bom carnaval. As escolas do Grupo de Acesso 3, por exemplo, recebem por volta de R$ 25 mil. Informa ainda que para se fazer um carnaval competitivo no Acesso 3 é necessário um investimento entre R$ 80 mil e R$ 100 mil.

“Por mais que se diga muito que o carnaval deve ser financiado pela iniciativa privada, muitas vezes não conseguimos chegar no empresariado por conta do estereótipo que foi imposto ao carnaval, muitos não sabem da representatividade que cada agremiação tem em seu bairro e em bairros adjacentes”, comenta e aponta outro problema: “Quando vamos negociar patrocínio, perguntam se vamos aparecer na televisão, durante muito tempo este foi um grande obstáculo”.

Mas o que era problema está perto de virar uma solução, pois neste último carnaval, os desfiles da UESP foram transmitidos para todo o Brasil pela TV Cultura. “Graças ao empenho do vereador Ricardo Teixeira fechamos esta parceria e no próximo carnaval já estamos acertados para que também aconteça a transmissão”, informou, ressaltando ainda que agora existem grandes perspectivas para que se atinja um parceiro comercial.

 

   Sobre buscar novas parcerias comerciais

“Estamos modificando a nossa forma de apresentar a UESP.  Não destacamos somente a questão do evento, mas estamos transmitindo a mensagem para que as grandes empresas entendam que hoje o sucesso de alguma marca está diretamente ligado as relações sociais e os nossos desfiles são altamente sociais”, explica.

Na questão social, Nenê aponta que os desfiles são gratuitos, que muitas agremiações não cobram por fantasias e que várias atividades das escolas de samba e blocos são voltadas para a transformação social.  “Estamos lutando para que as empresas entendam que a UESP faz parte deste nicho social. Quando apresentamos a UESP ao mundial business, destacam-se as relações sociais das agremiações e também suas ligações com os conceitos de sustentabilidade. Toda escola ou bloco trabalha a reciclagem, por exemplo”, enfatiza.

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     As três grandes últimas conquistas da UESP

Durante a entrevista, uma pergunta em especial, fez com que Nenê demonstrasse todo o seu amor pelo samba e pela UESP.

Quando perguntado quais foram as principais conquistas da entidade nos últimos anos. Ele apontou 3.

1)           “A primeira foi quando conseguimos limpar o nome da UESP, saneando e renegociando todas as dívidas e pendências. Assim conseguimos recuperar o crédito no mercado. As empresas começaram a nos chamar para negociar e voltaram assim a aceitas as nossas “cartas crédito”

2)           “Volto a citar a questão da TV Cultura que foi um marco gigantesco na nossa história. Estamos hoje em um canal de televisão aberto, com sinal para todo o Brasil e através do streaming manda para o mundo inteiro, um desfile de bairro. Não estamos falando do sambódromo do Anhembi, mas estamos falando dos desfiles na Vila Esperança, no Butantã, pois não é comum em nenhum lugar no Brasil ter transmissão de tv em um desfile de bairro, conseguimos demonstrar a nossa força através de uma parceria como esta com a TV Cultura”.

3)           “O crescimento da nossa infraestrutura em nossos desfiles de bairro, como sistema de iluminação cênica que proporcionou uma melhor qualidade artística a estes eventos”

 

                                  Para o próximo quadriênio

 

Para o terceiro quadriênio de que se inicia, Nenê Teixeira destacou que pretende promover uma grande reforma na sede da UESP e reorganizar os processos internos e o acervo histórico que conta com milhares de documentos, entre fotos, fitas vhs, jornais, partituras, fitas k7, cds e históricas atas de reuniões, que contam a história do samba paulistano.

“Quando chegamos na UESP havia uma grande dificuldade financeira. reformar o prédio e dar mais condições de trabalho foram uma das minhas promessas de campanha. Agora que estamos com as contas saneadas temos certeza que vamos conseguir”, prometeu.

Outra meta é revitalizar e digitalizar todo o acervo do CDMS – Centro de Memória e Documentação do Samba. “Já estamos em tratativas para iniciar este trabalho e quando concluído pretendemos abrir para visitas monitoradas e pesquisas”, completou.

 

    Parceria com Ricardo Teixeira

presidente da Câmara Municipal, vereador Ricardo Teixeira

O presidente Nenê faz questão de enfatizar a parceria com o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Ricardo Teixeira como um marco na história da UESP.

“Vivíamos o nosso pior momento, estávamos sem perspectivas, pois o nosso então grupo 1 foi remanejado para a Liga das Escolas de Samba e se tornou o atual Acesso 2. Com isso perdemos em verbas R$ 843 mil , o que nos impossibilitaria de colocar o carnaval na rua”, lembra citando que este episódio aconteceu antes da pandemia em 2018.

Segundo Nenê, foi neste momento que a entidade recebeu o apoio do vereador Ricardo Teixeira, que agendou uma reunião com o então prefeito Bruno Covas. “O Ricardo chegou no nosso pior momento e foi ele que nos deu todo o respaldo necessário para continuarmos”, completou e lembrou que o parlamentar  –  na época – disponibilizou uma emenda para suprir o valor.

“Graças ao Ricardo Teixeira retomamos o nosso crescimento com esta parceria que dura até os dias de hoje e ele vive o nosso carnaval, sempre quer melhorias”, comentou.

Estima-se que as médias de público, variam entre 20 mil por desfile na Vila Esperança e 40 mil nos desfiles do Butantã.

 

     Vem aí o Polo Cultural Alberto Alves da Silva “Seu Nenê”

 

Quando anos atrás se falava em um “sambódromo” para a Zona Leste, para muitos não passava de mera utopia, um devaneio oriundo de apaixonados sambistas da região.

Pois bem! O que era sonho está muito próximo de se tornar realidade, pois já existe o projeto arquitetônico, o orçamento e as obras devem começar em breve para que seja edificado na avenida Alvinópolis em Vila Esperança, o Polo Cultural Alberto Alves da Silva, uma justa homenagem ao maior baluarte do samba da Zona Leste, fundador da Nenê de Vila Matilde.

Segundo informou o presidente Nenê Teixeira, a obra deve levar cerca de 2 anos e ainda faltam alguns detalhes junto a Prefeitura. “Mas tudo está bem encaminhado. Iremos apresentar o projeto ao prefeito. A Câmara Municipal, através de uma iniciativa do Ricardo Teixeira, já aprovou separar o orçamento.  Entretanto precisa da apreciação e aprovação do prefeito”, ressaltou.

“O projeto prevê uma arena multiuso, por este motivo não vamos chamar de sambódromo, pois será usado durante todo o ano”, destacou.

Segundo Nenê esta é mais uma parceria, com o presidente da Câmara Municipal Ricardo Teixeira. “Foi justamente ele que solicitou que o Polo Cultural seja usado durante todo o ano para eventos esportivos, culturais, festivais de música e de teatro”, informou.

O projeto é ambicioso e com certeza dará um “boom” em toda a Zona Leste, pois contará com arquibancadas, salas para camarotes e para jurados. E, estas mesmas salas serão usadas durante todo o ano para projetos de requalificação profissional, formação cultural e fomentação de renda.

O projeto prevê também que aos sábados sejam realizados grandes eventos e aos domingos o espaço sirva como uma espécie de rua de lazer, como é a avenida Paulista hoje.

A obra está inicialmente orçada em cerca de R$ 28 milhões e deve levar 2 anos – após iniciada – para ser concluída.

 

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