A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) conferiu o prestigioso título de Patrimônio Mundial Cultural ao Theatro da Paz, em Belém (PA), e ao Teatro Amazonas, em Manaus (AM). A decisão, que reconhece a relevância histórica e arquitetônica desses ícones da cultura brasileira, foi aprovada na madrugada desta segunda-feira, 27 de novembro, após uma candidatura conjunta que destacou a singularidade e a proximidade histórica dos dois espaços.
Essa inclusão na lista da Unesco não apenas celebra a beleza e a importância cultural dos teatros, mas também reforça o papel da Amazônia no cenário global, evidenciando um período de intenso desenvolvimento econômico e efervescência artística na região, impulsionado pela extração do látex e a comercialização da borracha no final do século 19.
O legado da era da borracha e a arquitetura imponente
Inaugurados com 18 anos de diferença, o Theatro da Paz (1878) e o Teatro Amazonas (1896) são testemunhos vivos da opulência e das aspirações culturais que marcaram a Amazônia durante o ciclo da borracha. Ambas as construções foram erguidas com materiais importados da Europa, refletindo o desejo de replicar o esplendor dos grandes centros culturais europeus em plena floresta tropical.
A candidatura conjunta, apresentada sob a designação de “Teatros da Amazônia”, sublinhou não apenas a proximidade histórica, mas também os propósitos culturais similares que os uniam. Eles representam um capítulo único na história da arquitetura e da cultura brasileira, onde a riqueza gerada pela borracha financiou a criação de espaços de arte de projeção internacional.
Theatro da Paz: o esplendor neoclássico em Belém
Situado na capital paraense, o Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, concebido a partir do projeto arquitetônico do engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães. Sua inspiração principal foi o renomado Teatro alla Scala, de Milão, na Itália, um modelo de excelência para teatros de ópera.
A construção, que se estendeu de 1869 a 1874, enfrentou desafios e denúncias de irregularidades, atrasando sua abertura. No entanto, o resultado final foi uma obra-prima que mescla o estilo neoclássico com toques amazônicos, incluindo um fosso para a orquestra projetado para otimizar a acústica, garantindo uma perfeita equalização entre a música e as vozes dos cantores.
Reformas posteriores buscaram aprimorar ainda mais sua estrutura, como a inserção de uma caixa d’água de 40 mil litros abaixo do fosso, que não só abastecia o sistema de resfriamento, mas também contribuía para a acústica impecável. Reconhecido como o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil, o Theatro da Paz ostenta o título de teatro-monumento e patrimônio histórico, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Teatro Amazonas: o renascimento em Manaus
Inaugurado em 1896, no coração do Centro Histórico de Manaus, o Teatro Amazonas é outro monumento da era da borracha. Seu projeto arquitetônico original, de autoria do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior em 1883, também enfrentou atrasos devido aos altos custos e impasses sobre o terreno.
A coordenação da construção ficou a cargo do arquiteto italiano Celestial Sacardim. O teatro, de estilo arquitetônico renascentista, é notável pela vasta quantidade de materiais importados da Europa, como as 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira que compõem sua icônica cúpula central, trazidas da Alsácia, na França.
Internamente, o decorador pernambucano Crispim Amaral criou uma arquitetura eclética, combinando elementos neoclássicos com outros estilos. O italiano Domenico de Angelis foi responsável pela decoração do Salão Nobre, incluindo o famoso afresco “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”. O Teatro Amazonas mantém grande parte de sua decoração e elementos arquitetônicos originais, sendo tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.
A inclusão desses dois teatros na lista da Unesco eleva para 26 o número de bens culturais, naturais ou mistos brasileiros com reconhecimento internacional. Essa distinção coloca os Teatros da Amazônia ao lado de outros patrimônios notáveis do Brasil, como as cidades de Brasília e Ouro Preto, os centros históricos de Salvador e São Luís, o Complexo de Conservação da Amazônia Central e os bens mistos de Paraty e Ilha Grande, reforçando a riqueza e diversidade do legado brasileiro para a humanidade.
Para mais informações sobre o patrimônio cultural brasileiro e as últimas notícias, continue acompanhando o Fato Paulista. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, garantindo que você esteja sempre bem-informado sobre os acontecimentos que moldam nossa sociedade e cultura. Acesse a Agência Brasil para detalhes adicionais sobre esta e outras notícias.




