O debate da Band foi organizado, civilizado e teve discussões importantes. Segurança pública apareceu com força, além de educação, gestão e outros problemas de São Paulo. Mas, como espetáculo político, foi morno.
E talvez exista uma explicação simples: faltou gente naquele palco.
Debate de primeiro turno normalmente tem de tudo. Tem o candidato que provoca, aquele que faz a pergunta que ninguém esperava e até aquele personagem que aparece com 1% nas pesquisas e termina a noite dominando as redes sociais.
Desta vez, praticamente tivemos Haddad contra Tarcísio.
Foi um segundo turno antecipado no primeiro turno.
Sem outros candidatos pressionando, interrompendo a lógica da polarização ou tentando conquistar espaço, os dois favoritos fizeram um jogo mais seguro. Houve ataques e divergências, mas ninguém parecia disposto a colocar tudo em risco numa única noite.
Foi então que, talvez por falta de emoção em 2026, comecei a pensar em 2030.
E se aquele palco estiver antecipando uma disputa muito maior?
Não estou dizendo que Tarcísio e Haddad serão candidatos à Presidência daqui a quatro anos. Em política, prever quatro meses já é perigoso; quatro anos, então, é quase exercício de ficção.
Mas os dois têm tamanho nacional.
Haddad já disputou a Presidência, comandou a maior cidade do país e ocupou ministérios. Tarcísio transformou o governo de São Paulo em uma das principais vitrines da direita e também construiu projeção nacional.
Em algum momento, esquerda e direita terão de discutir quem ocupará o espaço das lideranças que dominaram a política brasileira nos últimos anos. E é difícil imaginar essa conversa sem que os nomes de Haddad e Tarcísio apareçam.
Por isso, o debate morno de domingo acabou deixando uma imagem interessante.
Tarcísio de um lado. Haddad do outro.
Em 2026, eles disputam São Paulo.
Em 2030? Ninguém sabe.
Mas, se daqui a quatro anos os dois estiverem novamente frente a frente em um estúdio de televisão, disputando o Palácio do Planalto, talvez a gente se lembre daquela noite e diga:
já vimos esse filme antes.




